domingo, 20 de dezembro de 2009

Herege Refutando o Fariseu parte 1




Tatuagens e Piercing

Fariseu: O que diz a Bíblia sobre o uso de tatuagens?
... Podemos ver na Palavra de Deus pelos menos dois textos objetivos que tratam a respeito:
“Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Gênesis 1:27.

RESPOSTA DO HEREGE: Não sei o que Genesis 1:27 tem a dizer a respeito de tatuagem e piercing mas vamos lá...
A imagem e semelhança nunca foi referente ao corpo do ser humano porque se não eu poderia dizer que várias pessoas que não são filhos de Deus mas que são pessoas bonitas e que cuidam bem do corpo já estão salvas,por estarem por assim dizer: fazendo de si uma imagem melhor.


FARISEU: Aqui vemos que o homem, coroa da criação de Deus, foi feito “a sua imagem e semelhança”. Assim, não precisa de complementos em seu corpo, pois já foi feito semelhante ao Ser mais perfeito do universo. Fazer algum tipo de marca que mude esta imagem e que traga dor naquilo que é considerado o “santuário do Espírito Santo” (ver I Coríntios 3:16-17, 6:19-20) é demonstrar que não está contente com sua imagem (semelhante a de Deus) e desrespeitar a Deus.

RESPOSTA DO HEREGE: Ele não usou o versículo inteiro, e isso já mostra que sua afirmação não está totalmente embasada. Ele não escreveu o versículo inteiro, mas fez uma citação da qual vamos explicar agora.

I Coríntios 3:16-17
Eu pessoalmente encontrei dificuldade em achar o sentido dessa passagem pois não fiquei e me recuso a interpretar um ou dois versículos apenas – a menos que dois versículos formem um texto completamente – tenho a velha mania chata de não me conformar com leitura de versículos isolados de seu contexto então li o capítulo todo. Paulo vem trazer mais umas varadas nos crentes de Corinto, ele começa falando para que eles não estejam divididos pois pareciam crianças em um parquinho tentando dizer qual deles tinha o pai mais fantástico, pois uns diziam: “eu sou de Paulo, eu de Apolo, eu de Pedro e outros ainda diziam: eu sou de Cristo. Então Paulo começa dizendo pra pararem com aquilo. Mais a frente Paulo continua explicando que o fundamento de todos (não somente dos que diziam serem de Cristo) deve ser Jesus, pois a igreja não deveria ter outro fundamento. Finalmente ele vai dizer que devemos fundamentar nossas obras sobre Cristo, pois:
“E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha,a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se permanecer a obra que alguém sobre ele edificou, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo todavia como que pelo fogo.”

(1 Coríntios 3.12-15)
Vejam que falamos do texto quase inteiro e Paulo não falou do corpo de ninguém a não ser o da igreja (rol de membros...), Paulo continua neste trecho tentando fazer a igreja entender que quem deve julgar as nossas obras é Deus, pois os coríntios pareciam estar julgando quem tinha o melhor pai na fé julgando as obras dos demais.
Vamos ver também os versículos 17 até o 23:
Ninguém se engane a si mesmo; se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para se tornar sábio.
Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e outra vez: O Senhor conhece as cogitações dos sábios, que são vãs. Portanto ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; seja Paulo, ou Apolo, ou Cefas; seja o mundo, ou a vida, ou a morte; sejam as coisas presentes, ou as vindouras, tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus.
Paulo continua falando aos irmãos de Corinto os prejuízos que eles estavam tendo e os prejuízos que eles teriam se continuassem com as divisões. Paulo traz a questão da sabedoria e mostra que toda sabedoria que eles achavam ter não passava de vanglória.
Agora vem o versículo citado para a bizarra afirmação:
Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós.
(1 Coríntios 3.16-17)
Paulo estava falando que a igreja (aquela comunidade de todas as pessoas que são filhos de Deus ao redor do mundo) é o santuário de Deus e que quem destrói o santuário de Deus (igreja) será também destruído. As divisões destroem o santuário de Deus e é por isso Paulo relaciona um com o outro. Vimos que os versículos anteriores e posteriores falam das picuinhas entre os coríntios, por que dois versículos bem no meio da idéia estariam falando de algo diferente? Porque é conveniente à mente farisaica, pois não tratam das outras partes, mas somente desta para dar uma idéia que o texto não nos dá.
Antes que eu me esqueça, foi citado outro texto


I Coríntios 6:19-20
Mais uma vez eu com essa mania chata de querer ler o texto completamente. Vamos ver o que o texto fala:
Primeiro Paulo diz aos coríntios que não levassem uns aos outros em juízo comum, Paulo diz:
"Mas vai um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos? Na verdade já é uma completa derrota para vós o terdes demandadas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes a fraude?"
1 Coríntios 6.6-7
Como pudemos observar o texto começa falando sobre litígio entre irmãos. Para quem não sabe o que é litígio, o dicionário Aurélio define:
1.Questão judicial; pleito, demanda, pendência.
2.Fig. Disputa, contenda, pendência:
“É natural que entre os dois estados do Sul venha ainda a ferver litígio semelhante aos das sete cidades gregas que disputavam a honra de ser berço de Homero” (Lúcio de Mendonça, Caricaturas Instantâneas, p. 42). [Cf. litigio, do v. litigiar.]
Mais a frente vemos:
“Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbedos, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.” (1 Corintíos 6.9-11)
Paulo continua falando do mesmo assunto, mas agora parte para outro aspecto da questão que é o passado dos irmãos coríntios, ele diz para eles que o tempo de resolver as coisas na justiça humana passou, pois eles já não eram mais prostitutas nem sodomitas e nem tantas outras coisas que eles haviam sido.
Paulo diz no versículo 12 que todas as coisas lhe eram licitas, mas nem todas convinham, teria Paulo mudado o assunto, certamente, pois logo depois ele diz nos versículos de 13 a 16:
“Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém aniquilará, tanto um como os outros. Mas o corpo não é para a prostituição, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo. Ora, Deus não somente ressuscitou ao Senhor, mas também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum. Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque, como foi dito, os dois serão uma só carne.” (1 Corintíos 6.13-16).
Olhe o que Paulo fala em seguida ao versículo 12, ele diz para eles não fazerem sexo com prostitutas, pois não convinha à santos tal coisa. E mais a frente Paulo explica melhor isso, pois:
“Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo.” (1 Corintíos 6.18-20)
Chegamos então ao versículo que é muito usado pelos fariseus. É o 19, Paulo não fala sobre uso de tatuagem e piercing no versículo 12 e muito menos no versículo 19, antes está falando do fato de os irmãos (irmãos?) de coríntios estarem de certa forma se relacionando com prostitutas, o versículo já foi citado anteriormente. Não podemos pegar uma parte do que um texto sagrado está falando, muitos já fizeram isso e até óvnis já foram “encontrados” na bíblia (Ezequiel 1.15-25).


FARISEU: "Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o SENHOR." Levítico 19:28.

RESPOSTA DO HEREGE: Mais uma vez é usado um versículo de um texto que descaradamente nada tem a ver com tatuagem e piercing. Vamos ao texto então.
O versículo citado, segundo a Almeida revista e atualizada, faz parte de um texto que vai do versículo primeiro até o versículo 37 do mesmo capitulo (Levítico 19.1-37). O texto fala de vários aspectos morais e religiosos dos hebreus que viviam peregrinando no deserto e que deveriam ser diferentes dos povos ao redor, diz para não roubar (v.11), pra respeitar a mãe (v.3), para não se voltar para os ídolos (v.4), etc. Muito bom pois são coisas que nós ainda hoje devemos valorizar como cristãos e são idéias encontradas no NT. Porém creio que certas coisas na bíblia são temporais, como por exemplo, o sacrifício de animais, e a linhagem sacerdotal. Pois bem, se vamos seguir o texto à risca então teremos que mudar muitas coisas na igreja hoje e na sociedade, pois o texto diz no versículo 23que após plantar uma arvore de comer, deverão ser esperados 3 anos até que possamos comer seu fruto (temos que alertar os irmãos da igreja que possuem horta sobre isso), mais a frente vai dizer no versículo 26 pra não comer carne com sangue (bife só se for bem passado), não vamos ficar nisso pois a igreja precisa “mudar” então vamos a mais mudanças, como a do versículo 27 diz pra não cortar o cabelo em redondo e nem aparar as extremidades da barba (temos aqui um conceito meio estilo Lula a anti-índios), segundo os fariseus o versículo 28 diz pra não fazer tatuagem então já que estamos seguindo à risca o que eles dizem vamos deixar a interpretação do versículo 28 como está. Vamos continuar a “contextualização” da mensagem, no versículo 29 diz para não contaminar a filha fazendo-a se prostituir, outro principio moral, que para mim é muito válido, pois a prostituição é um pecado que a Bíblia inteira, e não somente esta passagem, condena. Mais a frente vemos outras instruções, como: não se voltar para necromantes (v.31), não oprimir estrangeiros (v.32), não cometer injustiça nos julgamentos (v.35) e por fim Deus fala para guardar todos os estatutos, dando igualdade a todos os mandamentos.
Não sou eu quem disse essas coisas, foi Deus mesmo que as estabeleceu e firmou a muito tempo, mas minha pergunta é: se os fariseus querem pegar o versículo 28 pra os dias de hoje, por que eles não pegam todos então? Pela razão obvia, não é para nossos dias, mas porque um versículo seria no meio de outros que não são? Porque convém aplicar somente esse versículo, assim como com os ensinamentos de Paulo eles querem fazer o mesmo com toda a bíblia: aplicar versículos isolados do contexto para fazer suas afirmações, não estou defendendo o uso de tatuagem nem de piercing, apenas estou dizendo que estes textos não podem ser usados para falar sobre o assunto pois não tratam de tatuagem nem de piercing, o texto de levitico fala para não marcar o corpo, mas trata de algo especifico daqueles tempos, assim como comer carne com sangue (bife mal passado) e cortar o cabelo em redondo hoje é permitido por esse texto então seria permitido fazer tatuagem ou colocar um piercing. Mas não vou fazer afirmações favoráveis, pois minha intenção é aqui somente mostrar as reais afirmações dos textos apresentados. Novamente vemos um versículo mal usado e com contexto esquecido.


HEREGE: Sobre este texto assim se posiciona o Comentário Bíblico Adventista do 7o Dia, no vol. 1: “Provavelmente se refira a tatuagens (assim traduz a versão da Bíblia de Jerusalém - BJ), costume que em si não é imoral, porém certamente indigno do povo de Deus, pois tende a danificar a imagem do Criador”.
Do mesmo modo que o apóstolo Paulo, as únicas marcas que deveríamos trazer em nós deveriam ser aquelas em favor de Cristo: "Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus." Gálatas 6:17.

RESPOSTA DO HEREGE: Teria Paulo feito tatuagens que mostrassem que ele era um cristão?

FARISEU: Leandro Soares de Quadros

(refutação do herege: Helder Maciel – God Soldier)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Brincos e tatuagens...



Muito se tem discutido acerca de certos aspectos das subculturas underground que ganham cada vez mais espaço nas igrejas evangélicas. Na internet, encontra-se facilmente fóruns de discussão com o tema. Depois de ler bastante sobre o assunto, me enfadei com o vazio das discussões e argumentações, carentes que são de uma análise também sociológica sobre o fenômeno das subculturas em nossa sociedade, o que não possibilita à igreja uma compreensão sadia do assunto. É deprimente a completa falta de contextualização ao citar versículos bíblicos, assim como a presença das "idéias e frases prontas" - aquelas que as pessoas foram ensinadas sobre quando usá-las, mas não têm a mínima idéia do que significam na verdade. É a chamada "sabedoria de papagaio". Nas linhas que se seguem, vamos descrever de forma sucinta o que a bíblia diz ou não diz sobre alguns aspectos de algumas subculturas, como o uso de piercing, brincos e tatuagens, a fim de elucidar a questão e a mente daqueles que se encontram enganados em toda a sua sinceridade.

O cristianismo é um estilo de vida transcultural. Se a bíblia nos trouxesse como doutrina aspectos culturais amorais (não ligados a moralidade), como sustentam alguns, estes seriam, no mais tardar possível, os da cultura palestina do 1º século, época em que os escritores do novo testamento viveram. Mas não é esse o caso. Vivemos hoje numa cultura bem diferente daquela em que viveram os autores do novo testamento, e mesmo aqueles que se julgam estar de conformidade com alguns supostos padrões bíblicos de “como se vestir” e “o que vestir” estão muito distantes da realidade dos autores do novo testamento.

Movimentos underground

Devemos esclarecer que movimentos underground são movimentos de subcultura. O termo subcultura é utilizado sociologicamente para se referir a um grupo de pessoas cujo comportamento tem características que o separa da cultura maior (ou dominante) da sociedade na qual ele se desenvolve. Tais grupos são considerando subculturas e não culturas propriamente ditas porque são ligados à cultura maior (ou dominante) e apresentam traços dela. Cada cultura traz em si sua maneira de vestir, falar e pensar, e com as subculturas isso não é diferente. As chamadas "tribos urbanas" adotam visuais chocantes que fogem aos padrões impostos pela cultura maior ou dominante, têm seu próprio vocabulário (ou como algumas denominam, "dialetos") e principalmente uma outra maneira de ver o mundo, que muitas vezes bate de frente ao pensamento corrente na cultura maior. Vamos aqui nos deter apenas no que diz respeito ao visual dessas tribos, causa de tanta controvérsia no meio cristão.

Sobre não amar as coisas do mundo

Alguns sustentam que não é conveniente ao cristão fazer uso de brincos, piercing e tatuagem, pois não devemos nos contaminar com as coisas do mundo, mas que devemos ser diferentes, ser luz. É sempre citado João 2:15, que diz: "Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele." Veja bem: para usar este versículo no tema que discutimos, já parte-se do pressuposto que o visual das tribos underground é "do mundo". Mas na verdade, não é esse pressuposto que estamos submetendo a um exame aqui? Isso é um pensamento circular, uma falácia do pior tipo. Primeiro ponto: o que é "mundo"? Segundo ponto: por que seriam essas coisas deste tal "mundo"?

Pois bem. Estamos lendo uma carta que João escreveu para algumas igrejas residentes em lugares próximos uns dos outros; pequenas congregações da Ásia Menor, necessitadas de instrução e conselhos que as ajudassem a viver em plenitude o testemunho da sua fé em Jesus Cristo. A carta foi originalmente escrita para algumas igrejas que existiram há quase dois mil anos atrás. Vamos tentar entender o que os destinatários originais da carta entenderam e depois contextualizar sua mensagem para nossa época e contexto.

João lhes disse que eles não deveriam amar o mundo e nem as coisas que há nele. O que então é o "mundo" e o que são "as coisas que há nele"? Não foi o mesmo João que escreveu no evangelho que leva seu nome que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna"? Veja bem: quer isso dizer que Deus amou o mundo, mas que nós não podemos amá-lo? Mas não foi Deus quem criou o mundo em Gênesis? Então a bíblia diz que Deus criou o mundo e o amou, mas que nós não podemos amá-lo? Veja como isso é confuso se não esclarecermos os vários significados que a palavra "mundo" pode ter na bíblia.

Quando a bíblia fala de "mundo", ela pode estar se referindo a três tipos de "mundo" diferentes. Existe na verdade o mundo que se refere à criação (o que Deus criou em Gênesis), o mundo que se refere às pessoas em geral, (como o de João 3:16) e o mundo que João diz que não devemos amá-lo. Esse mundo ao qual João se refere, no original grego é kosmos, e diz respeito a um sistema organizado e liderado por Satanás, que inclui os que não aceitam a Jesus Cristo e se opõem à vontade de Deus por serem naturalmente sem religião e agirem por um conjunto de objetivos e princípios que têm como referência apenas esta vida. Assim sendo, esse terceiro significado de "mundo" vem a designar os objetos que essas pessoas especialmente buscam e os princípios pelos quais agem. Esse é o tal mundo que não devemos amar.


João não quer dizer que não podemos amar as flores, as montanhas, os animais ou as pessoas não cristãs. João quer dizer que não devemos fazer desse mundo (kosmos) o objeto de nossa maior afeição, que não devemos ser influenciados pelas máximas e sentimentos que nele prevalecem, que não devemos amar as coisas que são buscadas simplesmente para empanturrar a barriga, agradar aos olhos ou para promover a soberba da vida. No versículo seguinte, João expõe o que são essas coisas: "porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo". Esses são os objetos buscados pelas pessoas deste mundo (kosmos); os cristãos não devem buscar tais coisas.

Não é possível invocar esse versículo e dizer que ele está proibindo o uso de brincos, piercing e tatuagens por si só. A restrição bíblica que poderíamos encontrar aqui para o uso desses adereços seriam as motivações pessoais que levam o indivíduo a usá-los. Mas isso é um problema pessoal que envolve liberdade e maturidade cristãs e a bíblia diz que não devo infringir a liberdade de outra pessoa. Esse sim é um mandamento explícito.

Sobre não fazer marcas sobre nossa carne (Levítico 19:28)

Para proibir o uso de tatuagens, é muito usado o texto de Levítico 19:28:

"Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o Senhor."

Este versículo é ainda mais problemático. Vamos supor que devemos observá-lo ainda hoje de forma literal. Se é assim, devemos manter nossa coerência e observar também Levítico 19:27 (apenas um versículo antes) que diz:

"Não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba."

Ganhamos aí um versículo para estereotipar o corte de cabelo e a barba dos crentes. Voltemos agora dois versículos, e observemos também Levítico 19:26 que diz:

"Não comereis coisa alguma com sangue, não agourareis, nem adivinhareis."

Temos aqui uma "dieta bíblica". Vamos ser coerentes: por que Levítico 19:28 deve ser observado e os versículos anteriores (e posteriores, que não vou nem citar aqui) não? Pegue sua bíblia e leia todo o livro de Levítico. Por que extrair só um versículo de todo o livro? Simples: conveniência. Para provar o que se quer provar. Para sustentar um preconceito. Não devemos observar um mandamento de forma literal simplesmente porque "está escrito". Devemos, na verdade, entender o princípio que levou ao estabelecimento daquele mandamento dentro de seu contexto. Então, por que foi ordenado aos israelitas em Levítico 19:28 que não ferissem a própria carne e que não fizessem marca alguma sobre ela?

Esse mandamento se encontra de uma outra forma também em Deuteronômio 14:1:

"Filhos sois do Senhor, vosso Deus; não vos dareis golpes, nem sobre a testa fareis calva por causa de algum morto."

Esta proibição de fazer cortes e marcas sobre o corpo se destinava, na verdade, a evitar toda contaminação possível com um rito pagão cananeu de fazer incisões e marcas no próprio corpo em honra a Baal, o deus cananeu da fertilidade. Então, esse mandamento foi estabelecido para evitar que o povo judeu se contaminasse com qualquer rito pagão dos seus vizinhos cananeus. Vemos então que esse versículo também não serve de suporte a preconceitos e doutrinas opressoras. Se serve, então teremos problemas com os outros versículos do mesmo capítulo de Levítico (e com todo o livro, na verdade). É só escolher.

Sobre o uso de brincos e piercing

Em relação ao uso de brincos e piercings, a bíblia nos mostra que as mulheres israelitas usavam piercing e brincos. Em Isaías 3:21, lemos:

"...os sinetes e as jóias pendentes do nariz..."

Esse versículo, segundo o comentário da Bíblia de Estudo Almeida, reflete o costume da época de perfurar um lado da narina para colocar nela um brinco. No contexto desse versículo, Deus está repreendendo as filhas de Sião, dizendo que irá retirar delas todos os seus adornos, "visto que são altivas as filhas de Sião e andam de pescoço emproado, de olhares impudentes..." (Isaías 3:16). O problema, na verdade, não são os adornos, mas o caráter das filhas de Sião. Vemos então que o piercing era um costume das mulheres de Israel e que nunca foi repreendido pelo Senhor, pois no contexto do versículo citado acima o que é repreendido é o caráter dessas mulheres.

Em outro texto, em Ezequiel 16:12, vemos que o próprio Deus colocou um piercing em Israel! O texto diz:

"E te pus um pendente no nariz, e arrecadas nas orelhas, e uma linda coroa na cabeça."

Neste texto, o profeta ilustra o relacionamento de Deus e Israel como um marido e sua esposa. Deus está aqui adornando sua esposa, Israel, com tudo o que havia de mais belo na cultura da época. É desnecessário dizer que na visão do profeta inspirado pelo Espírito Santo não havia nada de repreensível em se colocar um pendente (ou piercing) no nariz.

Sobre o escândalo

Alguns preferem adotar uma postura mais defensiva sobre o assunto sem se aprofundar demais em debates, dizendo que tais adereços devem na verdade ser evitados porque são "escândalo". Não devemos "escandalizar". Mas o que é "escândalo"? Jesus disse que "é impossível que não venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos." (Lucas 17:1,2). A conclusão lógica a que chegamos então é que se eu uso um visual diferente do resto da massa e alguém me vê e se "escandaliza" (no sentido que eles dão à palavra), então, de acordo com o versículo, seria melhor que alguém amarrase uma pedra de moinho no meu pescoço e me jogasse no mar. Será isso que Jesus quis dizer? Creio que não.

A palavra "escândalo" no grego é "skándalon" (de onde se derivou a palavra portuguesa escândalo) e significa tropeço ou armadilha, símbolo daquilo que incita ao pecado ou à perda da fé. Escândalo é todo ensino, palavra, obra ou omissão que incita o outro a pecar. Um visual underground por si só não é escândalo no sentido bíblico do termo.

Escândalo seria, por exemplo, um caso em que uma mulher é levada a usar um piercing no umbigo apenas por uma motivações luxuriosas. Agindo assim, ela voluntariamente poderia despertar em outras pessoas desejo sexual por estar expondo determinada parte de seu corpo, ou seja, poderia estar incitando alguém a pecar. De outra forma, não é escândalo.

Sobre o corpo ser "templo do Espírito"

A bíblia diz que somos templo do Espírito Santo. Então, concluem alguns, não podemos fazer tatuagem ou usar piercing porque estaríamos profanando esse templo do Espírito que é o nosso corpo e que também é onde Deus habita. Vamos analisar os textos.

1 Coríntios 3:16,17 - "Não sabeis vós que sois santuários de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós."

Em primeiro lugar, devemos esclarecer que Paulo neste contexto não está dizendo que cada cristão é um templo do Espírito Santo. Este texto não diz que você individualmente é um templo do Espírito e que eu sou outro. Não, Paulo aqui está dizendo que a igreja em sua unidade é o templo do Espírito. Isso significa que você e eu não somos dois distintos templos do Espírito, mas que você e eu somos parte de um único templo, somos como que apenas dois tijolinhos. A igreja é o templo.

Nos versículos anteriores Paulo estava falando sobre obras usando uma linguagem da arquitetura, e aqui ele faz o desfecho de seu raciocínio dizendo que a igreja é um edifício, é um templo, mas não um templo qualquer, mas o templo do Espírito Santo e que, portanto, ela deve ser pura e santa. Paulo estava se referindo à comunidade de cristãos como lugar onde Deus habita. A idéia é derivada do modo de falar dos judeus, e a alusão é provavelmente ao fato de que Deus habitava entre eles (os judeus) por um símbolo visível - o templo de Jerusalém. Então, da mesma forma que Deus habitava entre os judeus, da mesma forma como Ele tinha um templo visível, agora ele habita entre os cristãos, que são o Seu novo templo. Entre os pagãos, essa imagem também era muito comum. Os templos dos pagãos também eram considerados sagrados e acreditava-se que seus deuses os habitavam. Eram invioláveis. Aqueles que neles procuravam refúgio estavam a salvo. Com essas imagens em mente, Paulo descreve a igreja como templo do Espírito, sagrada, inviolável.

Quando Paulo diz no versículo seguinte sobre "destruir" o templo de Deus, ele não estava se referindo a destruição física ou aniquilação em massa da comunidade de cristãos. Isso não faz o mínimo sentido neste contexto. O sentido figurativo dessa passagem é: "Se alguém com suas doutrinas ou preceitos levar a igreja por tal caminho que leve à sua destruição, Deus o irá punir severamente". No versículo seguinte, ele dá continuidade à figura que vinha construindo e dá sentido ao texto: "Ninguém se engane a si mesmo; se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se de louco para se tornar sábio" (1 Coríntios 3:18). Nos próximos versículos ele continua neste tema enfatizando a diferença entre a sabedoria do mundo e de Deus.

Analisando este texto dentro de seu contexto, vemos que não faz o menor sentido dizer que ele está proibindo o uso de tatuagens ou de qualquer outra coisa em plano físico ou estético.

Ainda há um outro texto em 1 Coríntios em que Paulo fala sobre ser "templo do Espírito".

1 Coríntios 6:10 - "Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?"

Já neste texto, Paulo não está se referindo à igreja como o templo do Espírito. Aqui ele está se referindo a cada cristão como um templo individual. No texto que vimos anteriormente, ele se referia a toda a comunidade de cristãos como que formando um único templo; aqui, ele diz que cada cristão individualmente é um templo.

Paulo está neste contexto falando sobre prostituição. Ele diz: "Coríntios, não vão para a cama com uma prostituta." Então, perguntam os Coríntios, carnais e imaturos na fé: "Mas por quê?" Paulo responde: "Porque vocês são templos do Espírito. Deus habita em cada um de vocês. Vocês são um com Deus. Quando vocês vão para a cama com uma prostituta, estão colocando Deus em participação com uma prostituta. Estão relacionando Cristo com a imoralidade.".

Paulo aqui não está dizendo nada sobre qualidades físicas. Ele está se referindo a um comportamento moral. Não faz o mínimo sentido dizer que a bíblia proíbe tatuagens e invocar esse versículo para tentar provar isso. Se dizemos que Paulo estava se referindo a qualidades físicas e que portanto fazer tatuagem é proibido por esse versículo, então temos que ser coerentes com as conseqüências desse raciocínio. Se for assim, pessoas mais saudáveis e que se exercitam mais são templos "mais apropriados" para a habitação do Espírito. Deficientes físicos então são templos inadequados para a morada de Deus. É engraçado ver que as pessoas que usam esse versículo para proibir tatuagens não pregam também sobre a ingestão de colesterol, gordura, alimentos cancerígenos e outros que de uma forma ou de outra causam danos físicos ao "templo" do Espírito.

O cerne do problema

O grande problema, na verdade, é o preconceito e a ignorância. Ele não é próprio apenas da igreja. É comum a grande parte da sociedade, mas a diferença é que a igreja o reveste de uma aura de “espiritualidade” em versículos descontextualizados, que nada têm a ver com o assunto, "santificando" assim seu preconceito. Em Apocalipse, João viu "grande multidão, que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos..." (Apocalipse 7:9). É maravilhoso ver essa diversidade cultural que exprime tão bem o caráter criativo de Deus e, melhor ainda, unida diante de Seu trono. Alguns argumentam que não têm preconceito porque tentam (ainda que de forma ingênua) buscar pessoas de tribos underground para a igreja. Mas basta um período de convivência para desmascarar sua reais intenções, pois quando essas pessoas entram na igreja, são oprimidas, incompreendidas, têm que cortar o cabelo, tirar os brincos, trocar as roupas e etc. Não seria esse um preconceito ainda maior?

A comunidade Caverna de Adulão, de Belo Horizonte, por exemplo, surgiu justamente dessa deficiência da igreja em se relacionar e dialogar com pessoas "diferentes". Quando a Caverna surgiu, no início da década de 90, ela era apenas um ministério que trabalhava em conjunto com as igrejas, e não uma comunidade como é hoje. O objetivo era alcançar jovens de subculturas diferentes, principalmente os "headbangers" (vulgarmente conhecidos como metaleiros), quando a capital mineira era considerada a capital nacional do Heavy Metal. Esse jovens que eram alcançados eram então encaminhados pela Caverna de Adulão a diversas igrejas, para ali receberem os primeiros cuidados como novas criaturas em Cristo e crescer na fé. Mas não foi isso o que as igrejas fizeram. Esses jovens começaram a ser oprimidos dentro das igrejas e não eram compreendidos. Daí, ao perceber que muitos deles já estavam se extraviando, surgiu a necessidade de se reunir todos esses jovens e a Caverna de Adulão se constituiu então como comunidade.

Sendo uma nova criatura

Ser uma nova criatura não significa passar por uma transformação que nos tira a humanidade e nos eleva a um patamar superior de existência em relação ao resto do mundo. Antes de Jesus éramos seres humanos. Depois de Jesus continuamos sendo seres humanos. Algumas coisas intrínsecas à nossa natureza humana continuam fazendo parte de nós e nunca vão mudar (e nem têm que mudar). A igreja precisa se libertar desse maniqueísmo. Ela se fecha num sistema que diz que se não é de Deus é do diabo. Isso é uma mentira. Maneiras de se vestir são, na imensa maioria das vezes, apenas juízos de fato, quase nunca podendo receber algum juízo de valor. Não se pode afirmar que o uso de tatuagens e adereços, como piercing e brincos, é melhor ou pior, num sentido moral, que o visual default (ou padrão) adotado pela cultura dominante.

Conclusão

Pelo que foi exposto, então, verifica-se que as supostas “bases bíblicas” geralmente usadas para se proibir o uso de piercings e tatuagens por cristãos sucumbem diante de um exame mais profundo. Muito poderia ainda ter-se discorrido sobre o assunto, mas o exposto acima é suficiente para apontar as mais comuns falhas de argumentação e interpretação referentes ao assunto e aos textos bíblicos, assim como para desconstruir doutrinas fundamentadas nestes erros, revelando-as como demasiado humanas - e nada além disso. Doutrinas essas repressivas, opressoras e preconceituosas, típicas de alguns líderes e de seus "rebanhos de papagaios" que se preocupam demais com o material e externo, mas pouco se lembram do transcendente e eterno.

Glauber Ataide

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Condição em que Foram Chamados (que Condição?)

I Coríntios 7.20

Achei muito interessante o texto pelo motivo de muitos crentes (crentes?) usarem o versículo 20 como pretexto pra permanecerem como estão.

O versículo 20 diz para permanecermos na mesma condição em que fomos chamandos! Mas de que condições estaria Paulo falando? As citarei abaixo, então leiam...

Os Casados
Paulo diz que seria melhor que não fossem casados mas diz pra “permanecerem na mesma condição (casados) em que foram chamados” (versículo 20), pois: “por causa da prostituição, tenha cada homem sua própria mulher e cada mulher seu próprio marido.” (I Coríntios 7.2)

Os solteiros e as viúvas
Paulo diz que não devem se casar, mas “permanecerem na mesma condição em que foram chamados” (versículo 20), mas se encontrassem uma esposa ou marido que não desperdiçassem a ocasião, “Porque é melhor casar do que abrasar-se.” (I Coríntios 7.9)

Aos crentes casados com descrentes
Paulo diz pra não se separarem, mas “permanecerem na condição em que foram chamados” (versículo 20), pois o marido (ou mulher) descrente é santificado pela esposa (ou marido) que é crente (versículo 14), pois os filhos também são santificados através dos pais. “Porque o marido incrédulo é santificado pela mulher, e a mulher incrédula é santificada pelo marido crente; de outro modo, os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos.” (I Coríntios 7.14)

Aos incircuncisos
“Paulo diz que devem continuar assim e não devem circuncidar-se, pois eles devem “permanecer a condição em que foram chamados”, pois: “A circuncisão nada é, e também a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus” (I Coríntios 7.19).

Aos escravos
Paulo diz pra não procurarem a liberdade (versículo 21), mas se aparecer oportunidade eles devem aproveitar (versículo 21) pois: “Pois aquele que foi chamado no Senhor, mesmo sendo escravo, é um liberto do Senhor” (I Coríntios 7.22)

Aos virgens
Que permaneçam assim, mas se não puderem se conter é melhor se casar do que permanecer em pecado. “Mas, se alguém julgar que lhe é desairoso conservar solteira a sua filha donzela, se ela estiver passando da idade de se casar, e se for necessário, faça o que quiser; não peca; casem-se.” (I Coríntios 7.36)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Fariseus Metaleiros (eles existem)



Devo confessar: não me acostumei com essa idéia ainda, o fariseu moderno pra mim precisa usar terno e gravata (mesmo num calor de 40º), a idéia é muito estranha, mas tem fariseus metaleiros (metaleiros?).

Tenho a honra de ter tido a idéia e feito o plano pra um dos maiores eventos de metal do estado, e a honra está em este evento ser cristão. O nome do evento é Noite do Massacre e já aconteceu por duas vezes sendo que nas duas tivemos bandas de renome.

A Noite do Massacre é um evento cristão que reúne bandas “Cristãs e bandas seculares. Não sou ortodoxo então me perdoem se estou ferindo o estatuto das tradições colocando bandas com pessoas não cristãs em um evento cristão, mas não volto atrás. Não tenho a intenção de ferir ninguém, mas quero mesmo é que seja destruído tudo que há de errado nesse mundo.

A I Noite do Massacre aconteceu em 2008 e tivemos a honra de receber uma das maiores bandas de death metal do país – Antidemon. Foi uma honra para nós, que somos de um estado tão afastado ter em nosso meio pessoas como Batista, Juliana e Mauricio, que formam mais que uma bandas – um Ministério. Tivemos alguns reveses mas foi muito bom.

A II Noite do Massacre aconteceu recentemente, e contamos com a presença mais que especial da banda de death grind Deas Snake. Que além de ser uma banda é também um ministério abençoado.

Não tenho com isso a intenção de ganhar dinheiro e não gosto da idéia de o evento ser meu. Quero que este evento seja de todos que de coração se dispuserem para fazer, e não faltou gente que disse que faria.

Deus abençoou o evento de forma, que só pessoas que conhecem Deus de perto podem dizer como fomos abençoados. A noção de graça comum foi vista de forma escancarada em pessoas que não são cristãs.

Não era esse o objetivo. Tinha uma banda local denominada “gospel” que seria o canal pra defender a cena cristã no evento cristão. Porém, não aconteceu da forma como esperávamos.

Vejo e considero uma banda ou uma pessoa como cristã quando ela realmente faz coisas que a identificam com Cristo: falar do amor de Deus pra os outros, abraçar quem precisa, orar pelos que precisam, ter disposição pra fazer o que Deus quer, etc.

Opinião minha. Não existe música cristã, existem pessoas cristãs que fazem bandas e quando isso se torna um ministério podemos chamar essa banda de cristã. E isso se confirmou com algumas afirmações, que citarei logo abaixo:
nós éramos a banda gospel mais bêbada da época”;
esses caras aí a gente não se junta não, preferimos ficar aqui mesmo sem tocar, mas com vocês, do que fazer evento todas as semanas” (poucos dias depois rolou dois eventos onde essas duas bandas tocaram juntas excluindo os caras que eles preferiam ficar juntos mesmo sem tocar);
vamos ajudar você a fazer a noite do massacre” (fizeram algo quando foram colocados contra a parede, e mesmo assim conseguiram novamente fazer trairagem);



O FATO

Helder: preciso da ajuda de você porque vai acontecer o apelo e muitos metaleiros vão aceitar [s]Jesus[/s].
fariseu metaleiro: pode falar!
Helder: Cola de duas pessoas e segura elas porque preciso pegar os nomes deles pra estar acompanhando depois!
Fariseu metaleiro: pode deixar comigo.

Aconteceu o apelo e 20 pessoas entregaram suas vidas pra Jesus.
Helder: peguei dois nomes e cadê os teus?
Fariseu metaleiro: não fui lá não.
Helder: porque?
Fariseu metaleiro: você ta louco? Quer que eu chegue perto desses drogados?
Helder: essa era a idéia!!
Fariseu metaleiro: não vem com essa história não cara. Isso não rola!



Meu Raciocínio


Um cristão se interessa por pecadores, sendo assim a afirmação de alguém dizendo que não quer chegar perto de um pecador não pode vir de um cristão. Logo, o autor de tal afirmação não é cristão.

Um metaleiro não pode negar o meio underground, sendo que a afirmação de alguém que não chegou perto de um metaleiro porque o metaleiro estava fumando, não pode vir de um metaleiro. O autor de tal afirmação não pode ser considerado um metaleiro.

Minha dificuldade é entender porque tais pessoas querem ser reconhecidas como cristãs, não tenho nada contra bandas seculares, algumas das que mais gosto não são cristãs. Até prefiro que alguém que não quer servir a Cristo através da musica forme banda secular, que sabe Deus não se agrada um pouco mais de sua música (Deus se agrada da arte bem feita).

domingo, 29 de novembro de 2009

CONFISSÕES DE UM EX-FARISEU



Rev. Digão

No nosso meio evangélico, os testemunhos de ex alguma coisa fazem muito sucesso. São os ex-traficantes, ex-gays, ex-jogadores de futebol, ex-adúlteros, ex-bandidos. Alguns realmente deixaram a sua vida pregressa no passado, mas outros ainda fazem aquela visitinha básica ao seu baú de maldades, como que para matar a saudade.

Mas eu nunca vi o testemunho de um ex-fariseu. Creio que, pelo fato de eles serem tantos, e com tanto poder nas igrejas, é muito complicado algum deles dar realmente a cara para bater. Como a graça de Deus não é mais algo que os crentes vivam, apesar de professar a sua fé nela, os fariseus (com suas regras, modelos, estatutos e padrões sufocantes) encontram guarida e até mesmo incentivo para continuar com suas farisaíces. Mas eu resolvi confessar: sou um ex-fariseu.

Resolvi fazer esta confissão porque o peso da consciência estava muito forte. Vejo que, com o meu farisaísmo, prejudiquei algumas pessoas que a graça de Deus resgatou. O meu farisaísmo transformou a beleza do amor ao Senhor e da vida cristã em um fardo religioso tão complicado de se carregar que a única solução é a hipocrisia. Os crentes fingem que seguem direitinho as regras, e eu finjo que acredito, e todos ficamos bem, comendo uma pizza no fim do culto de domingo à noite.

Mas Deus, em Sua misericórdia, mostrou que há solução para pessoas como eu, ex-fariseus. Ele insiste em pessoas que, por um motivo ou outro, desviam de Seu puro caminho, traçando caminhos humanos pensando estar agradando ao Senhor. Deus, através de Sua graça, mostra que, apesar de não aprovar o farisaísmo, quer resgatar aqueles que pensam estar sendo sinceros em sua rigidez legalista.

Gostaria de apontar três pontos que me fizeram acordar e abandonar o farisaísmo. Não digo que esteja completamente curado, pois há ainda alguns surtos de farisaísmo em mim, mas Deus completará a obra até o dia de Cristo Jesus. Considero, portanto, o farisaísmo como o alcoolismo: uma doença que você é liberto dia-a-dia.

1º - ESTUDOS

Sou pastor, de formação presbiteriana independente. Acontece que me converti em Belo Horizonte, em uma igreja que é um verdadeiro foco de farisaísmo, que prefiro declinar o nome por gentileza com os realmente cristãos de lá. E não sei se você conhece bem Belo Horizonte. O clima é agradável, as pessoas, gentis (ou, segundo alguns, relaxadas e desinteressadas), a poluição e a violência crescentes começam a desmentir a fama de roça grande. Porém, uma outra característica também é bem marcante: o alto teor fundamentalista neopentecostal das igrejas evangélicas, ou pelo menos da maioria delas. Isso fez com que empresas como a IURD e a Internacional da Graça de Deus, entre outras, encontrasse terreno fértil.

Com a vida dura, a questão acadêmica é algo que não importa tanto como em outros centros. Sendo assim, formei-me em Teologia pelo Seminário Bíblico Mineiro, à época seminário top de linha. Mas confesso que, apesar de ter aprendido a gostar de estudar no seminário, o estudo teológico ficava em segundo plano. O negócio era fazer. Não importava o quê, mas o importante era fazer alguma coisa.

Nosso evangelicalismo padece desse mal que é o ativismo. São congressos, encontros, retiros, evangelismos, passeatas, carreatas, cultos disso, cultos daquilo, que não deixam que você faça o que a Bíblia nos diz para fazer, que é meditar, ou seja, refletir, pensar, parar de fazer alguma coisa e deixar Deus falar, nos orientar e mudar nossas vidas.

Mas os estudos me abriram os olhos. Fiz o curso de liderança avançada do Haggai Institute em Cingapura. Foi um divisor de águas, onde aprendi coisas que mudaram a minha maneira de pensar. E, com o meu mestrado, vejo que muita coisa que fiz, ou fiz errado, ou não deveria ter feito. Arrependo-me delas, e peço perdão a Deus pelas mancadas farisaicas.


2º - PESSOAS

Estou aprendendo a gostar de MPB. Nunca gostei muito, devido ao fato de eu ter sido um adolescente (depois um jovem e um adulto) imerso em rock e heavy metal. Mas há alguns artistas, como 14 Bis, Flávio Venturini, Toninho Horta, Milton Nascimento, Zé Ramalho (para não dizerem que sou bairrista e escuto só música de Minas!) que, ainda que não sejam cristãos evangélicos, foram instrumentos de Deus para abençoar minha vida.

Mas há um cantor que realmente não desce: Caetano. Considero-o chato, arrogante e decadente. Mas há uma frase sua que considero magistral. Na música Sampa, ele diz que Narciso acha feio o que não é espelho.

Acertou na mosca! O que os fariseus não sabem é que eles são tremendamente narcisistas. Procuram, no outro, a exata imagem de seu ser. Se o outro não é exatamente igual, ele é, como disse Caetano, feio. Se o outro pensa de maneira diferente, é descartado, com adjetivos pouco recomendáveis, como carnal, encrenqueiro, liberal, modernista, e outros epítetos menos saudáveis.

Meu primeiro pastorado foi em uma pequena cidade do sul de Minas. É o paradigma de toda cidade pequena: uma praça, onde, ao seu redor estão as agências bancárias, o fórum, a prefeitura, a igreja matriz, o comércio, os hotéis. E não podemos nos esquecer que na praça há um coreto.

Naquela cidade, a igreja que pastoreei (como auxiliar, que fique bem claro) era a mais forte. Até mesmo o padre local reconhece isso. Só que não era um ambiente saudável para o cristianismo. Primeiro, porque todo mundo vigiava todo mundo, parecia episódio de Arquivo X; segundo, porque havia um padrão introjetado na mente das pessoas sobre como devia ser a postura do crente, e em especial do pastor. E isso era muito cobrado.

Imagine você, eu à época com 26 anos, oriundo do mundão podre, sem pedigree evangélico, pois fui o primeiro a me converter na família, e o primeiro pastor também, cair em um ninho de fariseus como esse. Ali vi e aprendi que, se você não está com a maioria, você está fora. Então, aos poucos parei de ser eu mesmo para ser aquilo que os outros queriam que eu fosse. Ali fui diferente de Davi, pois eu aceitei vestir a armadura de Saul. Comecei a tomar gosto pelo fato de ser chamado de pastor nas ruas, e de vez em quando até mesmo reverendo. E isso me fez muito mal. Deixei de ser a pessoa bem-humorada que eu era e comecei e ficar muito sisudo. Comecei a querer me pautar mais pela Constituição da igreja do que pela Bíblia. Este é o mal de evangélicos brasileiros. Eles não sabem rir, acham que tudo é solene demais, sério demais. Ou então descambam para palhaçadas catárticas como as unções do riso, do leão, do pitbull e de outros animais do jogo do bicho celestial.

Dali, fui ser pastor no Sul do Brasil. Mais uma vez, aprendi uma coisa: eu deveria ser como sou, e não como os outros queriam que eu fosse. Aprendi muito com irmãos e irmãs queridos, que me mostraram um cristianismo puro de coração e que, sendo tão diferentes de mim, ainda assim eram pessoas que amavam ao Senhor e eram amadas por Ele.


3º - GRAÇA

Como todo bom fariseu, abominava a idéia que outros cristãos pudessem fumar, beber álcool, ou até mesmo – heresia das heresias – ouvir música que não fosse evangélica. Eu dizia para os outros e para mim mesmo: a música evangélica é muito melhor do que a música mundana!

Hoje eu sei que a frase está completamente errada. A música dita evangélica é de uma indigência de dar dó. Antes, o problema era apenas rimar Jesus com cruz e luz. Agora, o problema é pior. Os arranjos são de fazer corar os programas musicais da rede Globo e os sertanejos de hoje em dia. As letras são infames, em um dizer mais polido. Para esconder suas falhas, há a pirotecnia aprendida em algum canto de Hollywood, ou no Instituto Rhema, fonte de grandes heresias brasileiras perpetradas pela liderança atual.

Em um filme de Hollywood, sempre há como você descobrir se está com um bom enredo ou com uma bomba nas mãos. Via de regra, se os efeitos especiais são o principal, o filme é um lixo, pois o argumento e os atores ficaram em segundo plano. Na música evangélica, segue-se o mesmo receituário. A música é ruim? A Teologia é de fazer Joseph Smith revirar na tumba? Ora, é fácil: aplicam-se efeitos especiais, ou espaciais, já que se trata de coisas das regiões celestiais. Então, dá-lhe churumelas, revelamentos espiritosféricos, dancinhas que nada ficam a dever a Tchans e Créus da vida, jogo de luzes controladas por computador. A simplicidade do Evangelho esvai-se no ralo em nome do deus marketing, do deus fama, do deus poder, do deus dinheiro e do deus ego.

Mas, em um dia do meu treinamento lá em Cingapura, conversando com um colega, um egípcio radicado no Sultanato de Omã, ele me pergunta: é verdade que os cristãos do Brasil não bebem álcool? E eu, com todo o meu farisaísmo, disse a ele: é lógico que não! Por acaso, lá em Omã, vocês bebem? Sua resposta: é lógico que sim!

Mas, não é possível! Será que o único espiritual neste curso sou eu? Pensei, de maneira farisaica. Isso me mostrou o seguinte: essas coisas, que são tão importantes para os fariseus, ou seja, os ritos externos, são de importância secundária para outros cristãos. Por que preocupar se um irmão em Omã está bebendo ou não o seu vinho, se ele está mais preocupado com a polícia que lhe proíbe de pregar o Evangelho? Por que preocupar se alguém escuta música secular, se o fato de treinar líderes cristãos em um país de minoria cristã e maioria muçulmana, hindu e budista faz com que haja toda uma preocupação com o bom andamento do treinamento e um bom relacionamento com a sociedade?

E vi que, mesmo que esses irmãos ouvissem música secular, ou bebessem, ou fizessem algo condenável aos olhos farisaicos, eles continuavam andando com o Senhor. Cheguei à conclusão óbvia: Deus não se preocupa com as aparências, Deus vê a essência. De nada adianta ouvir somente música gospel, se minha sintonia com Deus deixa a desejar; de nada adianta beber só refrigerante se o meu testemunho é uma piada sem graça. E vi também que, ao contrário do que eu pensava, Deus não jogou nenhum raio na cabeça desses meus amigos, ou os deixou paralíticos, ou mudos, ou mortos. Pelo contrário, Deus os deixou ainda mais em Sua graça.

O fariseu é um pouco como John Constantine. No filme meia-boca Constantine, Keanu Reeves faz o papel principal, um caçador de demônios. Ele tenta, de todas as maneiras, ganhar sua entrada no céu através de seu sucesso com os capetas. Um diálogo do filme, que é extremamente pós-moderno (não há conceitos de verdade absoluta e nem definição clara de bem e mal), com um anjo Gabriel andrógino e moralmente dúbio, me chamou a atenção. Constantine está conversando com a policial Angie, atormentada com o suicídio de sua irmã. A policial diz: Deus tem um plano para todos nós. Constantine, porém, replica: Deus é como uma criança com uma caixa de areia cheia de formigas. Ele só quer brincar conosco, não tem um plano definido.

Eu queria chegar ao Céu com minha boa justiça, fazendo coisas externas aceitáveis, mas Deus me mostrou que Ele derrama Sua graça por amor, e não por birra, como uma criança brincando com um formigueiro.

Através destas três etapas, estou hoje menos fariseu do que ontem. E, pela graça do Senhor, amanhã serei menos fariseu do que hoje. Não adianta: se não nos escondermos na graça do Senhor demonstrada na cruz, falharemos miseravelmente em nossa caminhada cristã. O nome deste fracasso é farisaísmo. Que o Senhor tenha misericórdia de nós, derramando Sua graça e nos curando de nossa hipocrisia religiosa latente.



Digão, Rodrigo Lima, ex-fariseu.

fonte: http://www.genizahvirtual.com/

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O CREPÚSCULO


O crepúsculo fede a fornicação e, mas consciências.
Este mundo esta gritando como um matadouro cheio de crianças retardadas.
A cidade esta morrendo de hidrofobia, será que só consigo limpar a baba de sua boca?

Jamais se desesperar, jamais se render!

Deixo as baratas humanas discutindo heroína e pornografia infantil. Tenho assuntos a tratar com outra classe de pessoas.
Milhões vão queimar, milhões vão perecer pelos erros deles. Por que se importar com uma morte?
Porque existem o bem e o mal. O mal deve ser punido.
Mesmo a beira do fim, isso não vai mudar.
Mas muitos merecem punição, e há tão pouco tempo...

“a meia-noite, todos os agentes super-poderosos saem e prendem qualquer um que saiba mais do que eles.” (Bob Dylan)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Decadência



Seios nus me esperam de todos os outdoors, de todos os cartazes, sujando a calçada. Me ofereceram amor sueco e amor Francês... mas não amor de verdade. Amor de verdade é como coca em vidro verde... eles não fazem mais.
Existe esperança enquanto houver vida. Este mundo esta como um cemitério, cheio de cruzes brancas enfileiradas, como marcas de giz numa lousa gigante.

Lembro-me de uma piada: homem vai ao medico, diz que esta deprimido, que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador, onde o que se anuncia é vago e incerto. O medico diz: “tratamento simples. O grande palhaço pagliacci esta na cidade. Assista o espetáculo. Isso deve animá-lo.” O homem se desfaz em lagrimas e diz: mas doutor... eu sou o pagliacci.”
Piada boa, todo mundo ri. Rufam os tambores e a cortina se fecha.




Diario de rorschack 16 de outubro de 1985

domingo, 4 de outubro de 2009

A Cidade



Carcaça de um Cão morto no beco hoje de manha, com marcas de pneu no ventre rasgado, essa cidade tem medo de mim, eu vi sua verdadeira face.

As ruas são sarjetas dilatadas cheias de sangue, quando os bueiros se inundarem, os vermes vão se afogar.

A imundície de todo sexo e matança vai espumar e os políticos e as putas vão olhar para cima gritando: “salve-nos”...

...eu vou olhar para baixo e dizer: “não”

Eles tiverem escolha, todos podiam ter seguido os passos de homens honrados. Homens decentes, que acreditavam no suor do trabalho honesto.

Mas seguiram os excrementos de devassos comunistas sem perceber que a trilha levava a um precipício até ser tarde demais, e não me digam que não tiveram escolha.

Este mundo está na beirada, contemplando o inferno e os liberais intelectuais sedutores de fala macia...

... de repente não sabem o que dizer.


Diário de Rorchack, 12 de outubro de 1985