quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Natal


"Glória a Deus nas maiores alturas, paz na Terra e boa vontade entre os homens!"
Essa saudação angélica aos pastores, em Belém da Judéia, na madrugada em que nasceu Jesus de Nazaré, anunciava o cumprimento de várias profecias, e a consecução de uma promessa, o nascimento da criança prometida do jardim: o descendente da mulher, que esmagaria a cabeça do serpente, signo do adversário de nossas almas, fomentador da confusão que inviabiliza qualquer relacionamento, seja com o Deus, seja consigo mesmo, seja com o próximo.
O Deus Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), através do Filho, de quem a criança da manjedoura, nascida sob a sombra da cruz, e à luz da ressurreição, é a encarnação, oferecia a sua própria vida para que houvesse paz.
Nesse gesto, ao satisfazer o princípio de justiça, que permite o sustento do Universo, a Trindade eterna semeava o princípio da graça, o princípio do favor imerecido, que permite o perdão.
A Trindade eterna pode perdoar-nos por nossas ofensas. Perdoados, nos reencontramos com o Eterno, e, assim, conosco, pois a identidade de cada um de nós estava nos aguardando em Deus, e fica desvendada a razão de nossa existência: comungar com a Divindade Trina. E, conscientes e movidos pela graça, podemos oferecer ao outro o perdão, que é a condição para a paz, e a semeadura da justiça.
É Natal, Jesus nasceu! O Deus veio ao nosso encontro para que possamos nos achar na existência, e, então, encontrar o outro na vida, que, necessariamente, deve ser compartilhada entre todos, para que a dignidade, que impõe a satisfação das condições necessárias para um viver com a melhor qualidade, seja um bem universal.
Feliz Natal!
©ariovaldo.ramos
Fonte: http://ariovaldoramosblog.blogspot.com/2011/12/natal.html

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Deserto, Adoração, Traição, Deus



por John Piper
Uma meditação sobre o Salmo 63
Salmo de Davi, quando no deserto de Judá
1 – Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água.
2 – Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória.
3 – Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam.
4 – Assim, cumpre-me bendizer-te enquanto eu viver; em teu nome, levanto as mãos.
5 – Como de banha e de gordura farta-se a minha alma; e, com júbilo nos lábios, a minha boca te louva,
6 – no meu leito, quando de ti me recordo e em ti medito, durante a vigília da noite.
7 – Porque tu me tens sido auxílio; à sombra das tuas asas, eu canto jubiloso.
8 – A minha alma apega-se a ti; a tua destra me ampara.
9 – Porém, os que me procuram a vida para a destruir, abismar-se-ão nas profundezas da terra.
10 – Serão entregues ao poder da espada e virão a ser pasto dos chacais.
11 – O rei, porém, se alegra em Deus; quem por ele jura gloriar-se-á, pois se tapará a boca dos que proferem mentira.
O autor é Davi, quando era rei (vv. 1, 11). A situação é que alguém está procurando destruir a sua vida (v. 9). Isto corresponde ao tempo em que Absalão, o próprio filho de Davi, o coagiu a sair de Jerusalém (2 Sm 15.23). Coloque-se no lugar de Davi. Seu filho não é somente alienado, mas também hostil o suficiente para ter o desejo de ver seu pai morto. Eis um perigo mortal misturado com uma separação dolorosa de seu filho.
Aprenda de Davi o que fazer nos momentos angustiantes e aterrorizantes. Ele orou. Todo o salmo é dirigido a Deus. Davi não pede proteção, nem vitória; pede somente uma coisa — Deus mesmo, para satisfazer sua alma, como as águas satisfazem a sede em uma terra árida e exausta. “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” (v. 1). Há ocasiões de dor, perda, tristeza e escuridão, quando nada é digno de ser pedido, exceto Deus mesmo. Todas as outras coisas são triviais, inclusive a própria vida.
Essa é razão por que Davi afirmou: “Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam” (v. 3). Davi poderia ser morto durante a noite, por algum traidor astuto que se vendera a Absalão. Como você dorme? Você relembra a si mesmo que o amor de Deus, na presença de Deus, é melhor do que ser vítima da morte, durante a noite. Porém, não sentimos com facilidade este descanso no constante amor de Deus. Dizemos as palavras, mas sentimos a realidade? Davi não o sentiu como desejava. Por isso, ele clamou: “Eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti”. Davi precisava desesperadamente que Deus respondesse ao seu clamor de vir e ajudá-lo a provar — não apenas saber, mas também sentir — que a graça dEle é melhor do que a vida.
Oh! que conheçamos desta maneira a Deus! Isso não seria tudo para nós? Não seria mais do que riquezas, fama, sucesso e saúde — na realidade, mais do que tudo que o mundo pode oferecer? Deus mesmo se aproximando e fazendo nossa alma beber de sua graça, até que todas as coisas desapareçam de nossa visão e o temor seja tragado pela inabalável segurança de gozo eterno à direita de Deus! Oh! que cheguemos a este lugar em nosso andar com Deus! Quando a salvação da própria vida e o livramento de seu filho deixam de ser os ídolos de Davi, e somente Deus o envolve no firme gozo de seu amor inabalável, Davi cantará de alegria nas tristezas da noite e, talvez, se Deus o quiser, ganhará de volta o seu filho.
De que maneira Deus veio a Davi e despertou o seu sabor espiritual, de modo que ele visse a Deus e ficasse satisfeito “como de banha e de gordura” (v. 5)? A resposta é que Davi lembrou-se dos dias de adoração na casa de Deus — “Eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória” (v. 2). Davi havia fugido de Jerusalém, o lugar de adoração corporativa do povo de Deus. E, em sua aflição, Davi recordou como era a adoração e o que ele contemplava na adoração.
Eis um grande anelo que tenho em relação à adoração coletiva de nossas igrejas — que, ao nos reunirmos, cantarmos, orarmos e ouvirmos a Palavra de Deus, Ele mesmo se mostre tão presente, em “força e glória”, que, nos anos por vir, se você for impedido deste privilégio imensurável, a própria recordação de tê-Lo visto na adoração O tornará real novamente para você.
Você orará comigo a Deus, rogando que Ele se encontre conosco desta maneira? Orará em favor de pastores e líderes, suplicando que Deus lhes dê canções, orações, silêncio, Escrituras e sermões que serão tão repletos da verdade e do Espírito de Deus, que todos eles provarão e verão que “a graça de Deus é melhor do que a vida” — e tudo o mais que a vida pode oferecer?
E orará por si mesmo, suplicando que os sábados à noite e as manhãs de domingos se tornem ocasiões de preparação para o encontro com Deus — vestíbulos do lugar santo de adoração? Ore juntamente com Davi: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água”. Se esta oração estivesse em nossos lábios nos sábados à noite e nas manhãs dos domingos, Deus não abriria as fontes do céu e nos mostraria que sua “graça é melhor do que a vida”?
Extraído do livro: Penetrado pela Palavra, de John Piper.
Copyright: © 
Editora FIEL 2009
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Festa Gospel Global: "Sim, por amor de ti (...) somos reputados como ovelhas para o matadouro." Salmos 44:22



 


Hermes C. Fernandes



Jamais poderíamos imaginar que um dia a Rede Globo promoveria um festival de música cristã. É claro que suas motivações são meramente comerciais, e não poderia ser diferente. Pensar o contrário é assinar um atestado de ingenuidade, pra não dizer outra coisa. Porém, não acho que deveríamos apedrejá-la por isso. A abertura concedida demonstra que a Vênus Platinada reconhece o potencial comercial desse promissor filão.
Enquanto a Globo celebra o sucesso da audiência, os evangélicos celebram o fato de terem conquistado a terra prometida. Chegamos ao topo! Agora seremos respeitados. Acabaram as perseguições. Essas seriam algumas das conclusões a que chegaram os adeptos da religião que mais cresce no Brasil.
Tenho a impressão de já ter visto este filme antes por pelo menos duas vezes. Na primeira, quando Herodes pede que os Magos lhe informem sobre o paradeiro do recém-nascido Jesus, tão logo o encontrassem. Suas intenções, porém, não era adorá-lo, como alegava, mas eliminá-lo. O rei fajuto da Judéia sentia-se ameaçado pelo cumprimento das profecias. A concorrência tinha quer ser calada. Ninguém podia ter mais IBOPE que ele. Que bom que os Magos, avisados pelo anjo, não voltaram mesmo caminho. O outro episódio que nos remete à inusitada aproximação entre a mídia secular e os evangélicos é o da pseudo-conversão de Constatino, imperador romano. Cessaram-se as perseguições. O cristianismo tornou-se na religião oficial do império. Constantino parece ter aderido à máxima: se não pode com eles, junte-se a eles. O preço pago pela pax romana foi altíssimo. O cristianismo tornou-se numa colcha de retalhos, assimilando todo tipo de religiosidade praticado pelos povos dominados por Roma.
Não julgo a Rede Globo. Acho até louvável a iniciativa. Apesar disso, não nutro uma visão romântica e ingênua de sua aproximação dos evangélicos.
Penso que seria preferível que cantores e artistas cristãos se infiltrassem na mídia secular como cantores e artistas seculares, porém, comprometidos com os princípios e valores do Reino.
Veja, por exemplo, o caso do menino prodígio Jotta A. Mesmo assediado por gravadoras seculares, preferiu assinar contrato com a gravadora de Silas Malafaia. Com a popularidade alcançada por ele junto ao público secular, seria melhor que ele se engajasse numa carreira secular, e aproveitasse a fama para divulgar através de suas músicas os valores da fé cristã. Como tomou outro rumo, vai ficar estigmatizado como cantor gospel, com um público reduzido ao gueto religioso. Sinceramente, acho um desperdício. Alguém argumentou comigo dizendo que seria duvidoso que um menino nessa idade começasse uma carreira secular sem desviar-se da fé. Meu contra-argumento é que seria mais fácil que ele se desiludisse quando adentrasse o meio gospel, e verificasse a hipocrisia com que vivem muitos dos seus astros.
Cantores que fazem de sua carreira um ministério, deveriam dedicar-se exclusivamente ao louvor e à evangelização. O problema é que iniciativas como o Festival Promessas e programas como o do Raul Gil, do Faustão e da Xuxa, fazem inflacionar o mercado gospel. Se aqueles cantores que se apresentaram no Festival já cobravam cachês exorbitantes, imagine agora. Entre eles, há quem cobre 60 mil reais para supostamente louvar a Deus. Ora, se é para ganhar dinheiro com isso, que se tornem cantores seculares. Certamente seria mais digno e produtivo, inclusive para o Reino de Deus. Quanto aos que se dedicam ao ministério, que se contentem em viver de ofertas voluntárias e das vendas de seus Cd's.
O mercado gospel anda tão promissor (daí o festival chamar-se 'promessas'), que muitos artistas seculares já anunciaram que vão gravar Cd's dedicados a este filão, entre eles, Latino e Belo. O público evangélico fornece um enorme rebanho, ovelhas cheias de lã, prontas para serem tosquiadas.
Se, de fato, o objetivo dos cantores que lá se apresentaram era evangelização, então, por que escolheram cantar canções sem qualquer apelo evangelístico, cheias de clichês e jargões somente compreensíveis no meio evangélico?
Foi uma oportunidade e tanto. Disso ninguém duvida. Mas terá sido aproveitada adequadamente?




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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Conhecendo mais a Deus, por estar Ele Levando nossos Fardos



por John Piper
Uma das razões por que não conhecemos profundamente a Deus é que não nos aventuramos muito em seu compromisso de carregar os nossos fardos. Conhecer a Deus com um senso de realidade pessoal autêntica não é uma simples questão de estudar. É uma questão de andar com Deus através do fogo e não ser queimado. É uma questão de não ser esmagado por um fardo, porque Ele o leva por você, ao seu lado. O que, então, Deus leva?
1. Deus tem levado os nossos pecados.
O meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si (Is 53.11).
Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos (Hb 9.28).
Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados (1 Pe 2.24).
Crer nesta verdade e experimentar seu efeito libertador é crucial para a vida agora. Sentimentos de culpa não têm a palavra final! Crer nesta verdade também é crucial para a hora de nossa morte. O aguilhão da morte é o pecado, mas graças sejam dadas a Deus, porque esse aguilhão foi removido. É igualmente crucial para nosso gozo eterno. A obra de Cristo em carregar nossos pecados nos assegura uma compensação eterna para todas as supostas “perdas” nesta vida de amor sacrificial. Esta confiança é o fundamento de conhecermos a Deus.
2. Deus se compromete a levar nossas ansiedades.
Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós (1 Pe 5.7).
A única outra passagem bíblica onde ocorre a palavra grega traduzida por “lançar”, neste versículo, é Lucas 19.35, onde lemos que os discípulos puseram suas vestes sobre o jumentinho, para que Jesus o montasse.
Que tipo de ansiedade Deus almeja tirar de nossas costas e levar por nós? Todo o tipo de ansiedade. Por exemplo, ansiedades a respeito de necessidades (Fp 4.4-7), inutilidade (Is 55.11), fraqueza (2 Co 12.9), decisões (Sl 32.8), adversários (Rm 8.31), aflição (Sl 34.19; Rm 5.3-5), velhice (Is 46.4), morte (Rm 14.7-9) e incerteza de perseverança (Fp 1.6; Hb 7.25).
Quando perguntaram a George Müller como podia se sentir calmo em um dia agitado, com tantas incertezas sobre o orfanato, ele respondeu algo assim: “Lancei sessenta coisas sobre o Senhor nesta manhã”. Quando Hudson Taylor foi informado de que missionários sob a sua responsabilidade estavam em perigo, logo ouviu-se Taylor sussurrando seu hino favorito — “Jesus, estou descansando, descansando no gozo do que Tu és!”
3. Deus se compromete a levar nossos cuidados.
Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado (Sl 55.22).
A palavra hebraica traduzida por “cuidado”, neste versículo, pode ser traduzida por quinhão. Qual é o seu quinhão hoje? O que a providência de Deus lhe trouxe? Em última instância, isto procede do Senhor. Ele o levará por você. Este quinhão não tem o propósito de esmagá-lo ou arruiná-lo. Tem o propósito de provar sua confiança em Deus para carregá-lo por você. (Veja Salmos 16.5, 63.8.)
Para Amy Carmichael, o “quinhão” era o estado de solteira. Houve várias oportunidades para ela deixar esse estado e assumir “a vida de casada”. Mas ela ouviu a voz interior: “Não, não, não”. Ela lançou esse quinhão sobre o Senhor, que o levou por ela, tornando-a frutífera e plena de alegria.
4. Deus se compromete a levar a causa da justiça por nós.
Ele [Jesus], quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente (1 Pe 2.23).
Em quase todos os relacionamentos da vida, você será tratado com injustiça. “Jesus nunca nos chamou para uma luta justa” (George Otis Jr).
Como você não se sentirá amargurado? Deixando que Deus leve a sua causa e acerte as contas quer na cruz, quer no inferno. Pedro disse que Jesus lidou com os atos errados praticados contra Ele entregando-se a Deus, que julga todas as coisas com justiça. Deus administrará a nossa causa. “A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19). Entregue-Lhe sua causa. Prepare-se para ser tratado com injustiça, quer seja alguém furando a fila à sua frente, quer seja alguém dando falso testemunho a seu respeito em um tribunal.
5. Deus se compromete a levar você — toda a sua vida.
Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno. Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei (Is 46.3-4).
(Veja também Êx 19.4; Sl 18.35, 94.18.)
A vida cristã é uma vida de ser levado, desde o começo até ao final. Nós trabalhamos, mas, na realidade, é Deus quem trabalha em nosso íntimo (1 Co 15.10).
Conclusão
Venham a Ele, todos os que trabalham arduamente e estão sobrecarregados, e encontrem descanso para a alma.
Aprofunde sua comunhão com Deus
e conheça-O melhor, aventurando-se
mais em seu compromisso de levar você
e todas as suas inquietações.

Extraído do livro:
Penetrado pela Palavra, de John Piper
Copyright: © Editora FIEL 2009.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Como Ser um Refúgio para seus Filhos



por John Piper
Se papai está com medo, para quem o filhinho se voltará? Supõe-se que os pais são seguros; que eles sabem o que fazer, como resolver problemas, consertar as coisas e, mais importante do que tudo, como proteger os filhos dos perigos. Mas, o que acontece quando uma criança vê o medo na face de seu pai? O que acontece se o pai está tão atemorizado quanto a criança e não sabe o que fazer? Então, ela fica perturbada e sente pânico.
No entanto, se o pai é confiante, o filho têm um refúgio. Se o pai não está apavorado, e sim calmo e firme, todas as muralhas podem ruir; todas as ondas, quebrar-se; todas as serpentes podem sibilar; os leões, rugir; e os ventos, soprar, não haverá lugar mais seguro do que os braços do pai. O pai é um refúgio, enquanto está confiante. Esta é a razão por que Provérbios 14.26 diz: “Isso é refúgio para seus filhos”, se o pai tem forte confiança. A confiança do pai é um refúgio para o filho.
Pais, a batalha para sermos confiantes não é apenas a respeito de nós mesmos; é a respeito da segurança de nossos filhos. É uma batalha que se refere ao senso de segurança e felicidade deles. E sobre a questão se eles crescerão vacilantes ou firmes na fé. Até que os filhos conheçam a Deus, de maneira profunda e pessoal, somos a imagem e a incorporação de Deus na vida deles. Sendo pessoas confiantes, confiáveis e seguras para eles, é mais provável que eles se acheguem a Deus para tê-Lo como seu refúgio, quando as tempestades lhes sobrevierem.
Então, como podemos ter forte confiança? Antes de tudo, nós também somos crianças; vasos de barro, frágeis e quebradiços, que lutam com ansiedades e dúvidas. A melhor solução é usarmos a melhor aparência que tivermos e ocultarmos nosso verdadeiro “eu”? Na melhor das hipóteses, isso nos causará úlceras e, na pior, nos levará a uma duplicidade que desonra a Deus e repele os adolescentes. Esta não é a resposta.
Provérbios 14.26 nos oferece outra resposta: “No temor do Senhor, tem o homem forte amparo”. Isto é muito estranho. Este versículo nos diz que a solução para o medo é o temor. A solução para a timidez é o temor. A solução para a incerteza é o temor. A solução para a dúvida é o temor.
Como pode ser isto?
Parte da resposta é que o “temor do Senhor” significa temer desonrar o Senhor; e isso implica ter medo de temer aquelas coisas sobre as quais o Senhor nos prometeu ajuda para vencê-las. Em outras palavras, o temor do Senhor é um grande destruidor de temores.
Se o Senhor diz: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Is 41.10), é algo temeroso inquietar-nos a respeito do problema sobre o qual Ele diz que nos ajudará. Temer esse problema, quando Ele diz: “Não temas, porque eu te ajudo”, é um voto de desconfiança contra a Palavra de Deus e uma grande desonra para Ele. E o temor do Senhor treme desonrar a Deus.
O Senhor diz: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei”. Portanto, afirmemos confiantemente: “O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem?” (Hb 13.5,6.) Se o Senhor lhe diz isso, não confiar na presença e ajuda dEle, conforme nos prometeu, é um tipo de orgulho. Coloca a nossa avaliação do problema acima do próprio Deus. Esta é a razão por que lemos estas admiráveis palavras do Senhor: “Eu, eu sou aquele que vos consola; quem, pois, és tu, para que temas o homem, que é mortal, ou o filho do homem, que não passa de erva?” (Is 51.12.) Quem é você para temer o homem, quando Deus prometeu ajudá-lo? É orgulho temer o homem. E o orgulho é oposto do temor do Senhor.
Sim, este Provérbio é verdadeiro e grande ajuda para nós. Pai, tema a Deus. Sim, tema a Deus. Tema desonrá-Lo. Tema desconfiar dEle. Tema colocar a sua avaliação do problema acima do próprio Deus. Deus afirma que pode ajudá-lo. Ele é mais sábio do que você, mais forte e mais generoso. Confie nEle. Tema não confiar nEle.
Por quê? Deus trabalha por aqueles que esperam nEle (Is 64.4). Deus resolverá o problema. Ele salvará a família. Cuidará dos pequeninos. Suprirá as necessidades de vocês. Tema desconfiar dessa promessa. Então, os seus filhos terão um refúgio. Eles terão um pai que tem firme confiança — não em si mesmo, e sim nas promessas de Deus, perante o Qual ele treme, se não confiar.
Extraído do livro:
Penetrado pela Palavra, de John Piper
Copyright: © Editora FIEL 2009.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Como Experimentamos o Amor de Deus no Coração?



por John Piper

Experimentar o amor de Deus, e não apenas pensar sobre este amor, é algo que devemos desejar com todo o coração. É uma experiência de grande alegria porque nela provamos a própria realidade de Deus e de seu amor. É o fundamento de profunda e maravilhosa segurança — a segurança de que nossa esperança “não confunde” (Rm 5.5). Esta segurança nos ajuda a nos gloriarmos “na esperança da glória de Deus” (Rm 5.2); e nos conduz através das intensas provas de nossa fé.
Esta experiência do amor de Deus é a mesma para todos os crentes? Não. Se todos os crentes tivessem a mesma experiência do amor de Deus, Paulo não teria orado em favor dos crentes de Éfeso: “A fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef 3.18,19). Ele pediu isto porque alguns (ou todos!) eram deficientes em sua experiência do amor de Deus, em Cristo. E podemos supor que não somos todos deficientes na mesma medida em que o eram os crentes de Éfeso.
Como podemos alcançar a plenitude da experiência do amor de Deus, derramado em nosso coração pelo Espírito Santo? Uma das chaves para isso é compreendermos que esta experiência não é semelhante à hipnose, ao choque elétrico, às alucinações induzidas por drogas ou uma boa medida de calafrios. Pelo contrário, tal experiência é mediada pelo conhecimento. Não é o mesmo que conhecimento, mas vem por meio deste. Expressando-o de outra maneira, esta experiência do amor de Deus é obra do Espírito Santo dando-nos gozo indizível em resposta às percepções da mente a respeito da manifestação desse amor na pessoa de Jesus Cristo. Deste modo, Cristo recebe a glória pelo gozo que desfrutamos. É um gozo naquilo que vemos nEle.
Onde você pode ver isto nas Escrituras? Considere 1 Pedro 1.8: “A quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória”. Aqui temos uma experiência de grande e indescritível gozo — um gozo além de quaisquer palavras. Não se fundamenta em uma visão física de Cristo. Está fundamentada em crer em Cristo. Ele é o foco e o conteúdo da mente neste gozo indescritível.
De fato, 1 Pedro 1.6 afirma que o gozo, em si mesmo, está “na” verdade que Pedro está declarando sobre a pessoa de Cristo — “Nisso exultais”. Ao que se refere o termo “isso”? À verdade de que:
1) em sua grande misericórdia, Deus “nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (v. 3);
2) obteremos “uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível” (v. 4); e
3) somos “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (v. 5). Em tudo isso, exultamos “com alegria indizível e cheia de glória” (v. 8).
Sabemos algumas verdades. E nos regozijamos nisso! A experiência de uma alegria indizível é uma experiência mediada. Ela vem por intermédio do conhecimento de Cristo e de sua obra. Tal experiência possui um conteúdo.
Considere também Gálatas 3.5: “Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” Sabemos, com base em Romanos 5.5, que a experiência do amor de Deus acontece por meio do “Espírito Santo, que nos foi outorgado”. Mas Gálatas 3.5 nos diz que a concessão do Espírito tem conteúdo. Ela se realiza por meio da “pregação da fé”. Há duas coisas: a pregação e a fé. Existe a pregação da verdade a respeito de Cristo e a fé nessa verdade. É desta maneira que o Espírito é concedido. Ele vem por meio de conhecer e crer. A obra dEle é uma obra mediada. Tem conteúdo mental. Acautele-se de buscar o Espírito com esvaziamento de sua mente.
De modo semelhante, Romanos 15.13 afirma que o Deus da esperança nos enche com alegria e paz, “no crer”. E o crer tem conteúdo. O amor de Deus é experimentado em conhecermos e crermos em Cristo, porque Romanos 8.39 diz que o amor de Deus “está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Nada poderá “separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Portanto, faça quatro coisas: olhe, ore, renuncie e desfrute.
1. Olhe para Jesus. Considere a Jesus Cristo. Medite na glória e na obra dEle, não de modo casual, e sim intencional. Pense sobre as promessas que Ele fez e assegurou por meio de sua morte e ressurreição.
2. Ore para que Deus abra seus olhos, a fim de contemplarem as maravilhas do amor dEle nestas coisas.
3. Renuncie todas as atitudes e comportamentos que contradizem esta demonstração do amor de Cristo por você.
4. Desfrute a experiência do amor de Deus derramado em seu coração, pelo Espírito Santo.
Extraído do livro:
Penetrado pela Palavra, de John Piper
Copyright: © 
Editora FIEL 2009.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Como a Lei Me Ajuda a Conhecer Meu Pecado?



por John Piper
Comecemos olhando o contexto de Romanos 7.7-8
1. Paulo está defendendo a Lei, após dizer algumas coisas negativas a respeito da Lei (tais como: você precisa morrer para a Lei — 7.4; paixões pecaminosas são despertadas pela Lei — 7.6; a Lei veio para que a ofensa avultasse — 5.20).
2. O argumento de Paulo é que a Lei não é pecado, mas expõe o pecado como pecado. Ao fazer isso, a Lei freqüentemente torna o pecado evidente e recebe a culpa por ele.
3. Existe uma condição pecaminosa por trás de nossos pecados, uma condição sobre a qual precisamos ter conhecimento. Paulo diz no versículo 8: “O pecado… despertou em mim toda sorte de concupiscência”. Em outras palavras, o pecado da cobiça é produzido por uma condição que Paulo chamou de “pecado”. Esta é a nossa “depravação”, a nossa “queda” ou (para os crentes) a nossa “corrupção remanescente”.
4. Paulo usou o mandamento contra a cobiça para ilustrar como a Lei nos mostra nossa condição pecaminosa.
5. “Cobiça” significa apenas desejos que você não deveria ter. Os nossos desejos são maus porque brotam da perda de satisfação em tudo o que Deus é para nós em Cristo. Os desejos são maus quando procedem da perda de contentamento em Deus.
6. Até que a Lei de Deus entre em cena e proíba alguns de nossos desejos (“Não cobiçarás”), nossos desejos não são experimentados como pecado, e sim como exigências imperativas que parecem ter sua própria legitimidade. Até que a Lei de Deus confronte esta “lei” sediciosa, não experimentamos nossos desejos como pecado (“sem lei, está morto o pecado” — 7.8). “Eu quero isso. Portanto, eu devo ter isso.” Esse tipo de pensamento é inato. “Desejo equivale a merecimento”, até que a Lei de Deus venha e diga: “Não”. Percebemos isto com clareza nas criancinhas, que acham muito doloroso aprenderem que seus desejos não são leis.
7. Isto nos mostra a fonte da condição pecaminosa: independência de Deus, rebelião contra Deus. Em sua fonte, nossa condição pecaminosa é o comprometimento de sermos nosso próprio deus. Serei a autoridade final de minha vida. Decidirei o que é certo e o que é errado para mim, o que é bom ou mau para mim, o que é verdadeiro ou falso para mim. Meus desejos expressam minha soberania, minha autonomia e — embora normalmente não o digamos — minha suposta deidade.
Esta independência de Deus — esta rebelião e hipotética soberania, autonomia e deidade — produz todo tipo de cobiça. A expressão “toda sorte” dispõe-nos a pensar sobre quão diabolicamente a cobiça pode se expressar. Precisamos saber disso, pois, do contrário, não conheceremos o nosso próprio pecado ou a nós mesmos.
Em geral, existem dois tipos de desejos maus (cobiça) que a Lei desperta, e ambos são expressões de amor, de um caso de amor com a independência e auto-exaltação.
1. Um é bastante óbvio, ou seja, o desejo de ter as coisas proibidas. Provérbios 9.17 afirma: “As águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é agradável”. Agostinho confessou sobre a sua juventude: “Eu sentia disposição de roubar, e roubava, embora não fosse impelido por qualquer carência, exceto pela carência de um senso de justiça ou por um desprazer por aquilo que era certo ou por um amor ávido para praticar o erro… Não tinha qualquer desejo de gozar das coisas que eu ansiava roubar, mas somente gozar do roubo em si mesmo e do pecado”.1 Portanto, uma das formas de desejo que o mandamento desperta é o desejo de fazer a própria coisa proibida. Isto se deve ao amor inato de sermos nosso próprio deus e ao nosso desprazer por submissão.
2. O outro tipo de desejo mau, despertado pela Lei, é o desejo de guardar a Lei por nossos próprios esforços, tendo em vista a exaltação de nossa proeza moral. Isto parece bastante diferente. Não matarás, não furtarás, não adulterarás, não mentirás. Em vez disso, apenas justiça própria. Não que guardar a Lei seja errado ou cobiçoso. Antes, o problema é o desejo de guardá-la por meus próprios esforços, e não por dependência sincera do poder de Deus. O problema é desejar a glória de minha realização, e não a glória de Deus. Esta é uma forma sutil de cobiça.
Portanto, conheça a si mesmo! Conheça os seus pecados, sua condição pecaminosa de rebelião e insubordinação. Se isto o levar, repetidas vezes, à cruz e ao evangelho da justificação somente pela graça, por meio da fé, exaltará a Cristo, será cura para a sua alma e doçura para todos os seus relacionamentos.

Extraído do livro:
Penetrado pela Palavra, de John Piper
Copyright: © Editora FIEL 2009.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ajudando os Crentes a Terem Segurança da Salvação



por John Piper
Os crentes são chamados a lutarem por sua própria certeza de salvação e a ajudarem os outros a lutarem por esta mesma certeza. Deus almeja que tenhamos certeza de que já somos salvos e desfrutemos de ousada confiança diante de oposição e ameaças. “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus” (1 Jo 5.13). O que podemos dizer uns aos outros para ajudar-nos a manter a segurança de salvação? Eis o que eu diria:
1. A plena segurança é a vontade de Deus.
Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança (Hb 6.11).
2. A segurança é sustentada parcialmente pelas evidências objetivas da verdade cristã.
A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus (At 1.3).
3. A segurança não pode negligenciar a dolorosa obra de auto-análise.
Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados (2 Co 13.5).
4. A segurança diminui na presença de pecado escondido.
Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia (Sl 32.3).
5. A segurança resulta do ouvir a Palavra de Deus.
E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Rm 10.17).
Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome (Jo 20.31).
6. Focalizar-se repetidamente na suficiência da cruz de Cristo é crucial para a segurança.
Tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura (Hb 10.21-22).
7. Temos de orar suplicando olhos para vermos as verdades que sustentam a segurança.
Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder (Ef 1.18,19).
8. A segurança não é mantida no isolamento pessoal.
Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós (1 Co 12.21).
Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado (Hb 3.13).
9. A segurança não é destruída pelo desprazer ou pela disciplina de Deus.
Ó inimiga minha, não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz. Sofrerei a ira do Senhor, porque pequei contra ele, até que julgue a minha causa e execute o meu direito; ele me tirará para a luz, e eu verei a sua justiça (Mq 7.8-9).
10. Freqüentemente, temos de esperar com paciência pelo retorno da segurança.
Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos. E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no Senhor (Sl 40.1-3).
11. A segurança é uma luta que perdura até ao dia de nossa morte.
Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas (1 Tm 6.12).
Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé (2 Tm 4.7).
12. A segurança é um dom do Espírito Santo.
O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16).
Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho (1 Jo 5.10,11).
Extraído do livro:
Penetrado pela Palavra, de John Piper
Copyright: © 
Editora FIEL 2009.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Aceitando a Dor da Vergonha


por John Piper
Existe um tipo de vergonha da qual você não deve se envergonhar. Talvez você diga: “Então, isso não é realmente vergonha”. Mas a Bíblia o chama de vergonha, e realmente parece uma vergonha, até que um milagre acontece em nosso coração e reverte o nosso senso de valores.
A razão por que isto é importante para mim é que ainda estou aprendendo — às vezes, eu penso: apenas começando a aprender — como aceitar esta vergonha. Eu digo realmente “aceitar”, não apenas tolerar, o desagradável sentimento de ser envergonhado. Até que eu aprenda isso mais plenamente, nunca serei, entre os incrédulos, o tipo de testemunha que Deus me chama a ser.
Onde consegui este estranho conceito sobre aceitar a vergonha? Eu o retirei da história de Pedro e dos apóstolos, em Atos 5. Eles foram presos e lançados no cárcere, por curarem um homem e pregarem a Cristo (v. 18). Naquela noite, um anjo do Senhor libertou os apóstolos e disse-lhes que fossem ao templo e pregassem “todas as palavras desta Vida” (v. 20). Mas, novamente, o Sinédrio e os sumos sacerdotes os tomaram em custódia e os acusaram de encher Jerusalém com a doutrina deles (v. 28). “Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome.”
Pedro respondeu com ousadia, dizendo: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (v. 29). O Sinédrio estava pronto para matá-los, quando Gamaliel, um mestre da Lei, se levantou e disse: “Dai de mão a estes homens, deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus. E concordaram com ele” (vv. 38,39). Com isso, os membros do Conselho mudaram seus planos, “açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram” (v. 40).
Em seguida, lemos um dos versículos mais impressionantes das Escrituras:
E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome (v. 41).
Leia devagar estas palavras e deixe-as penetrar em sua alma.
Observe duas coisas.
Primeira, os apóstolos foram envergonhados. Eles sofreram “afrontas”. Ser transformado em espetáculo pelos reverenciados líderes de seu povo, ser tratado como criminosos ímpios, ser despido até (pelo menos) à cintura e ser ferido tão dolorosamente, o que levou ao ponto de gritar e chorar com profundos soluços de dor — este é um momento repleto de vergonha. A Bíblia chama isto de vergonha. E é horrível.
Segunda, eles se regozijaram nesta vergonha. Use sua imaginação. Isto não é uma brincadeira. Não é romântico. Não é um momento heróico e nobre, com música sublime e milhares de espectadores. É algo terrível. A dor é excruciante. Pode resultar em morte. Não há qualquer auxílio. É humilhante. Mas os apóstolos não protestaram. Não se perturbaram com a perda de seus direitos. Não maldisseram os seus inimigos. Pelo contrário, os apóstolos cantaram. Eles se regozijaram por “terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus”.
Isso é o que pretendo dizer quando uso a expressão “aceitando o sofrimento da vergonha”. Já chegou a este ponto? Se não, tenha coragem. Poucos de nós já chegamos lá. Você quer ser assim? Eu também quero! O que devemos fazer? Três coisas:
1. Oremos uns pelos outros. Sejamos específicos. Supliquemos: “Pai, realiza uma profunda obra transformadora em mim, de modo que eu sinta gozo, quando sou envergonhado por causa do nome de Cristo”.
2. Meditemos freqüentemente na infinita obra de Cristo, na doçura de suas promessas e no grande sofrimento que Ele suportou para a nossa salvação.
3. Avancemos em direção ao inexplorado território do testemunhar para Cristo. Se surgirem os sentimentos dolorosos de vergonha, transformemos este cântico fúnebre em uma canção de triunfo.
Assim, o mundo começará a ver o que é mais valioso no universo: Jesus Cristo. Até que isto aconteça, pareceremos tanto com as pessoas do mundo no que nos regozijamos, que elas serão pouco motivadas a nos darem atenção.
Extraído do livro:
Penetrado pela Palavra, de John Piper
Copyright: © 
Editora FIEL 2009.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Acautele-se da Lógica!



“Ordena o que quiseres, e dá-me o que ordenares.”

2 Crônicas 30 nos diz como o rei Ezequias restaurou a Páscoa em Israel. Essa  celebração havia sido negligenciada, e Ezequias contristou-se por essa  desobediência. Por isso, enviou mensageiros que percorressem o país e chamassem o povo ao arrependimento e à obediência.
A mensagem do rei estava repleta de afirmações condicionais. Por exemplo: “Se vós vos converterdes ao SENHOR… vosso Deus… não desviará de vós o rosto” (v. 9). Estas afirmações condicionais mostram que Deus reage às nossas escolhas. Ou seja, se fizermos determinada escolha, Deus faz algo; se fizermos uma escolha diferente, Ele faz algo diferente. Por isso, Ezequias convocou o povo a voltar-se para o Senhor, a fim de que Ele se voltasse para o povo.
Esta reação de Deus às escolhas que fazemos levam algumas pessoas a precipitarem-se a uma conclusão “lógica” que não possui qualquer fundamento. Eles dizem: “Se Deus reage às nossas escolhas, então, o que escolhemos e o que Deus faz em resposta à nossa escolha dependem, em última instância, de nós mesmos”. Isto é o que eu chamo de “interpretação filosófica”, em vez de interpretação exegética. Em outras palavras, esta maneira de entender as afirmações condicionais da Bíblia resulta do raciocínio lógico do ser humano, e não da atenção cuidadosa aos caminhos singulares de Deus revelados no texto bíblico.
Quero ilustrar isso com base em 2 Crônicas 30. Estas são as exortações  que Ezequias enviou ao povo. Estão carregadas de condições:
• Versículo 6: “Filhos de Israel, voltai-vos ao SENHOR, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel,para que ele se volte para o restante que escapou do poder dos reis da Assíria”. Em outras palavras, se vocês se voltarem ao Senhor, Ele se voltará para vocês.
• Versículo 7: “Não sejais como vossos pais e como vossos irmãos, que prevaricaram contra o SENHOR, Deus de seus pais, pelo que os entregou à desolação, como estais vendo”. A ação de Deus em entregar os pais “à desolação” resultou de haverem eles sido infiéis ao Senhor.
• Versículo 8: “Não endureçais, agora, a vossa cerviz, como vossos pais; confiai-vos ao SENHOR, e vinde ao seu santuário que ele santificou para sempre, e servi ao SENHOR, vosso Deus, para que o ardor da sua ira se desvie de vós”. O ardor da ira de Deus se desviará de vocês, se servirem ao Senhor Deus.
• Versículo 9: “Porque, se vós vos converterdes ao SENHOR, vossos irmãos e vossos filhosacharão misericórdia perante os que os levaram cativos e tornarão a esta terra; porque o SENHOR, vosso Deus, é misericordioso e compassivo e não desviará de vós o rosto, se vos converterdes a ele”. Converter-se ao Senhor é uma condição que as pessoas têm de satisfazer, para que recebam a compaixão do Senhor em não virar as costas para elas.
Qual foi a resposta obtida pelos servos de Ezequias que levavam essas mensagens de esperança condicional? O versículo 10 nos mostra que algumas pessoas “riram-se e zombaram deles”. Mas outras “de Aser, de Manassés e de Zebulom se humilharam e foram a Jerusalém” (v. 11). O povo de Judá fez essa mesma escolha humilde (v. 12). O que fez a diferença na maneira como as pessoas reagiram? O versículo 12 nos dá a resposta incomum: “Também em Judá se fez sentir a mão de Deus, dando-lhes um só coração, para cumprirem o mandado do rei e dos príncipes, segundo a palavra do SENHOR”.
Não leia isso rapidamente. Pense sobre as implicações impressionantes. São importantíssimas. O que o versículo 12 ensina, à luz do contexto anterior, é que Deus havia ordenado: “Voltai-vos para mim, eu me voltarei para vós”. Algumas pessoas se voltaram. Por que motivo o fizeram? O versículo 12 apresenta a mais profunda razão: Deus lhes deu um coração disposto a fazer o que Ele ordenara. “Também em Judá se fez sentir a mão de Deus, dando-lhes um só coração, para cumprirem o mandado do rei e dos príncipes”.
Há alguma contradição em afirmar: “Se fizerem o que o rei ordenou, Deus removerá a sua ira de vocês” e, em seguida: “Deus lhes deu um coração disposto a fazer o que o rei ordenara”? É uma contradição afirmar uma condição que o povo tinha de satisfazer e, em seguida, dizer que Deus os capacitou a satisfazer a condição? Não, não é uma contradição. Somente um preconceito filosófico contrário ao ensino deste texto bíblico chamaria isso de contradição.
Isso esclarece dezenas de passagens bíblicas. De fato, esclarece toda a estrutura do pensamento bíblico. Quando lemos sentenças como: “Se vos voltardes ao SENHOR, Ele se voltará para vós”, não nos precipitemos à conclusão de que aquilo que escolhemos e aquilo que Deus faz em resposta à nossa escolha depende exclusivamente de nós. O versículo 12 ensina com bastante clareza: O que Deus ordena, Ele também pode dar. Isto é o correspondente bíblico mais próximo à famosa oração de Agostinho: “Ordena o que quiseres, e dá-me o que ordenares” (Confissões, X, xxix, 40).
A lição para nós é uma advertência e uma exortação. Acautele-se de interpretar a Bíblia com inferências lógicas, em vez de prestar atenção ao texto. Em vez disso, alegre-se, porque a graça de Deus está por trás de sua reação à graça dEle. Se a graça não nos despertar à graça, dormiremos durante o acontecimento. “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente” (Romanos 11.36).
Devocional extraído do livro Provai e Vede, de John Piper.
Copyright: © Editora FIEL
Permissões: a postagem de trechos deste livro foi realizada com permissão da Editora Fiel. Se você deseja mais informações sobre permissões contate-os.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Regra de Martinho Lutero a Respeito de Como se Tornar um Teólogo



Oração, Meditação E Provações – O Caminho para o Entendimento

Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, Alemanha. Morreu em 18 de fevereiro de 1546. Durante esses anos, ele pregou mais de 3.000 sermões e escreveu 50.000 páginas. De seu cargo como Professor de Teologia, na Universidade de Wittenberg, ele desempenhou um papel importante na criação da Reforma.
Ele nos dá conselhos profundos a respeito de obter o máximo de nossa Bíblia. Não seja desestimulado pela palavra “teologia”. O que Lutero tinha em mente era uma leitura e uma meditação firme e consistente a respeito do que Deus diz. Isto é para todos: “Quero que vocês saibam como estudar teologia de maneira correta. Eu mesmo tenho praticado este método… O método do qual estou falando é aquele que o rei Davi nos ensina em Salmos 119… Neste salmo, encontramos três regras, que são: oração, meditação e provação.” As citações que apresentamos em seguida vêm da obra What Luther Says: An Anthology, compilada por Ewald M. Plass (St. Louis: Concordia Publishing House, 1959, v. 3, p. 1359-1960).
1. Oração
“Você deve sentir-se completamente desesperado de seus próprios sentimentos e razão, pois, mediante essas coisas, você não atingirá o objetivo... Dobre seus joelhos em seu quarto, em particular, e com sincera humildade e zelo ore a Deus por meio de seu amado Filho, para lhe conceder graciosamente o seu Espírito Santo, que o iluminará, guiará e dará entendimento. Conforme podemos ver, Davi orava constantemente neste salmo…”
Salmos 119
Verso 18: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei”.
Versos 27, 33: “Faze-me atinar com o caminho dos teus preceitos… Ensina-me, SENHOR, o caminho dos teus decretos”.
Versos 34-37: “Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei… Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo. Inclina-me o coração aos teus testemunhos e não à cobiça… vivifica-me no teu caminho”.
“Davi usou muitas outras palavras dessa natureza, embora conhecesse bem o texto de Moisés e de outros livros, os lesse e os ouvisse diariamente. Apesar disso, ele desejava ter o verdadeiro Senhor das Escrituras, a fim de, por todos os meios, assegurar-se de que não penetraria nas Escrituras com seu próprio entendimento e se tornaria o senhor delas.”
2. Meditação
“Em segundo lugar, você deve meditar. Isto significa não somente que deve considerar a Palavra em seu coração, mas também que deve usar constantemente meios externos, examinando e comparando, lendo e relendo a Palavra pregada, bem como as palavras gravadas nas Escrituras, observando e meditando, com dedicação, sobre aquilo que o Espírito Santo quer dizer… Observe, então, neste salmo, como Davi sempre diz que fala, pensa, conversa, ouve, lê, dia e noite, constantemente — mas nada menos do que a Palavra e os mandamentos de Deus. Pois Deus quer lhe dar seu Espírito tão-somente por meio da Palavra.”
Salmos 119
Verso 11: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti”.
Verso 15: “Meditarei nos teus preceitos e às tuas veredas terei respeito”.
Verso 48: “Para os teus mandamentos, que amo, levantarei as mãos e meditarei nos teus decretos”.
Verso 24: “Com efeito, os teus testemunhos são o meu prazer, são os meus conselheiros”.
Verso 47: “Terei prazer nos teus mandamentos, os quais eu amo”.
Verso 93: “Nunca me esquecerei dos teus preceitos”.
Verso 97: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!”.
3. Provações
“Em terceiro, existem as provações. Isto é a pedra de toque. Elas nos ensinam não somente a conhecer e a entender, mas também a experimentar quão exata, verdadeira, agradável, poderosa, amável e confortadora é a Palavra de Deus; ela é sabedoria suprema. Essa é a razão por que você observa que, no salmo indicado, Davi se referia freqüentemente a todo tipo de inimigo… Pois, logo que a Palavra de Deus se torna conhecida para você, o diabo o afligirá, tornando-o um verdadeiro teólogo”.
Salmos 119
Versos 67-68: “Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a tua palavra. Tu és bom e fazes o bem; ensina-me os teus decretos”.
Verso 71: “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos”.
Talvez você diga que não quer ser um teólogo. Não tropece nesta palavra; pois, Lutero queria dizer: alguém que conhece verdadeiramente a Deus. Você quer conhecer a Deus? Quer conhecer os caminhos dEle neste mundo e na sua vida? Quer ser capaz de entender e aplicar a Bíblia à sua situação? Quer ser um bom médico da alma para curar as feridas de outros? Então, este é um excelente conselho. Medite na Palavra de Deus, noite e dia. Derrame sua alma em oração, rogando iluminação e amor. Seja paciente no sofrimento. Não permita que as suas lições se percam, enquanto você resmunga a respeito dos árduos dons de Deus. Confie nEle e aprenda as coisas mais profundas dentre todas.

Devocional extraído do livro Provai e Vede, de John Piper.
Copyright: © Editora FIEL
Permissões: a postagem de trechos deste livro foi realizada com permissão da Editora Fiel. Se você deseja mais informações sobre permissões contate-os.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A Luta Pela Bênção do Café da Manhã



por John Piper

Esta meditação é para famílias, mas espero que outros também sejam ajudados por ela. Estou presumindo que os membros das famílias de crentes procuram tomar café da manhã juntos — ou ter algum tipo de momento familiar com a Palavra e a oração, antes de saírem para suas diferentes atividades. Embora haja ocasiões da vida em que isto seja difícil ou impossível, não se esforçar por usufruir destes momentos parece contrário ao ensino de Deuteronômio 6.7: “Tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te”.

Isto exige esforço. Todos gostam de se levantar em horas diferentes. Por isso, você tem de decidir quão importante acha estes momentos familiares com a Palavra de Deus. E isto é possível às criancinhas, aos adolescentes e aos pais. Talvez você tenha de trabalhar por esses momentos. Mas eles podem ser conquistados.
No entanto, uma vez que os tenha conseguido, o que deve fazer? Para muitos de nós, a manhã é o tempo do dia em que nos sentimos mais melancólicos e menos animados. Alguns dizem que os adolescentes não são completamente humanos até à metade da manhã. O pai pode sentir que tremenda pressão se avulta adiante. A mamãe pode sentir-se exausta devido a muitas inquietações. Os pequeninos podem estar mal-humorados.
Qual é a razão de ser deste momento? Pai, a razão é que você transmita graça à sua família. Se não há pai na família, então, a tarefa compete a você, mãe. Como você transmite graça à sua família?
Efésios 4.29 nos oferece parte da resposta:
Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.
A chave de transmitir graça à família são os lábios do pai.
Oh! pais! Que tesouro é a graça proveniente dos seus lábios no café da manhã!
1. Não falem palavras torpes.
Nenhuma palavra corrompida. Nenhuma palavra sem proveito. O que isto significa? Talvez a melhor interpretação seja a frase seguinte, onde este assunto é apresentado de maneira positiva.
2. Falem somente palavras que forem boas para edificação.
Tenham como alvo o edificar a fé da família, por meio do que vocês dizem. Não confundam isso com o fortalecer o ego deles. Não estamos falando sobre auto-estima. Estamos falando sobre o promover a fé e a esperança em Cristo Jesus. “Edificação” implica uma confiança crescente nas promessas de Deus compradas pelo sangue de Cristo. Pais, venham ao café da manhã com palavras de esperança para os membros de sua família. Conte-lhes algo sobre Deus e Cristo que lhes ajudarão a serem fortes naquele dia.
3. Falem palavras que satisfaçam a necessidade do momento.
Algumas promessas de Deus são mais adequadas a determinadas circunstâncias do que outras. Se os filhos já têm idade suficiente, perguntem-lhes quais serão as necessidades e desafios daquele dia. Ou perguntem-lhes na noite anterior. Dêem-lhes algo de Deus que os ajudará a serem fortes, na força do Senhor, naquele dia.
4. Esta é a maneira como vocês transmitem graça à família.
Mas isto pressupõe algo — ou seja, a ira não pode ser o sentimento predominante do coração de vocês. Existe um tipo de ira que é santa. A maioria das expressões de ira não é santa. Por isso, Paulo acrescentou: “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia” (Ef 4.31). A ira maliciosa é mortal. Um dos seus efeitos mais perniciosos é a ruína da capacidade que o pai têm para abençoar a família. O coração do pai está tão irado, que sua boca está constantemente amarga. Oh! que haja doçura nos lábios dos pais! Oh! que haja pais profundamente satisfeitos! “Bendirei o Senhor em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios” (Sl 34.1). Isso é que o abençoar a família pressupõe.
Pais, como vocês podem chegar a este ponto? Resposta:
Perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave (Ef 4.32-5.2).
Pais, vocês já conhecem a alegria de ter o perdão de uma dívida impagável? Vocês já viram Jesus sofrer horrivelmente a fim de comprar o perdão de vocês? Conhecem a maravilha de ouvir a Deus chamando-os de “filhos amados”? Não apenas “filhos”. Mas “filhos amados”. Pais, levantem-se bem cedo para encharcarem a própria alma com estas coisas. Assim, vocês trarão o aroma de Cristo à mesa do café. A longo prazo, não importando quão amuada pareça a família, esta bênção retornará aos milhares sobre a cabeça de vocês.
Extraído do livro:
Penetrado pela Palavra, de John Piper
Copyright: © 
Editora FIEL 2009.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.