por John Piper
Comecemos olhando o contexto de Romanos 7.7-8
1. Paulo está
defendendo a Lei, após dizer algumas coisas negativas a respeito da Lei (tais
como: você precisa morrer para a Lei — 7.4; paixões pecaminosas são despertadas
pela Lei — 7.6; a Lei veio para que a ofensa avultasse — 5.20).
2. O argumento de
Paulo é que a Lei não é pecado, mas expõe o pecado como pecado. Ao fazer isso,
a Lei freqüentemente torna o pecado evidente e recebe a culpa por ele.
3. Existe uma
condição pecaminosa por trás de nossos pecados, uma condição sobre a qual
precisamos ter conhecimento. Paulo diz no versículo 8: “O pecado… despertou em
mim toda sorte de concupiscência”. Em outras palavras, o pecado da cobiça é
produzido por uma condição que Paulo chamou de “pecado”. Esta é a nossa
“depravação”, a nossa “queda” ou (para os crentes) a nossa “corrupção
remanescente”.
4. Paulo usou o
mandamento contra a cobiça para ilustrar como a Lei nos mostra nossa condição
pecaminosa.
5. “Cobiça”
significa apenas desejos que você não deveria ter. Os nossos desejos são maus
porque brotam da perda de satisfação em tudo o que Deus é para nós em Cristo.
Os desejos são maus quando procedem da perda de contentamento em Deus.
6. Até que a Lei de
Deus entre em cena e proíba alguns de nossos desejos (“Não cobiçarás”), nossos
desejos não são experimentados como pecado, e sim como exigências imperativas
que parecem ter sua própria legitimidade. Até que a Lei de Deus confronte esta
“lei” sediciosa, não experimentamos nossos desejos como pecado (“sem lei, está
morto o pecado” — 7.8). “Eu quero isso. Portanto, eu devo ter isso.” Esse tipo
de pensamento é inato. “Desejo equivale a merecimento”, até que a Lei de Deus
venha e diga: “Não”. Percebemos isto com clareza nas criancinhas, que acham
muito doloroso aprenderem que seus desejos não são leis.
7. Isto nos mostra
a fonte da condição pecaminosa: independência de Deus, rebelião contra Deus. Em
sua fonte, nossa condição pecaminosa é o comprometimento de sermos nosso
próprio deus. Serei a autoridade final de minha vida. Decidirei o que é certo e
o que é errado para mim, o que é bom ou mau para mim, o que é verdadeiro ou
falso para mim. Meus desejos expressam minha soberania, minha autonomia e —
embora normalmente não o digamos — minha suposta deidade.
Esta independência
de Deus — esta rebelião e hipotética soberania, autonomia e deidade — produz
todo tipo de cobiça. A expressão “toda sorte” dispõe-nos a pensar sobre quão
diabolicamente a cobiça pode se expressar. Precisamos saber disso, pois, do
contrário, não conheceremos o nosso próprio pecado ou a nós mesmos.
Em geral, existem
dois tipos de desejos maus (cobiça) que a Lei desperta, e ambos são expressões
de amor, de um caso de amor com a independência e auto-exaltação.
1. Um é bastante
óbvio, ou seja, o desejo de ter as coisas proibidas. Provérbios 9.17 afirma:
“As águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é agradável”. Agostinho
confessou sobre a sua juventude: “Eu sentia disposição de roubar, e roubava,
embora não fosse impelido por qualquer carência, exceto pela carência de um
senso de justiça ou por um desprazer por aquilo que era certo ou por um amor
ávido para praticar o erro… Não tinha qualquer desejo de gozar das coisas que
eu ansiava roubar, mas somente gozar do roubo em si mesmo e do pecado”.1
Portanto, uma das formas de desejo que o mandamento desperta é o desejo de
fazer a própria coisa proibida. Isto se deve ao amor inato de sermos nosso
próprio deus e ao nosso desprazer por submissão.
2. O outro tipo de
desejo mau, despertado pela Lei, é o desejo de guardar a Lei por nossos
próprios esforços, tendo em vista a exaltação de nossa proeza moral. Isto
parece bastante diferente. Não matarás, não furtarás, não adulterarás, não
mentirás. Em vez disso, apenas justiça própria. Não que guardar a Lei seja
errado ou cobiçoso. Antes, o problema é o desejo de guardá-la por meus próprios
esforços, e não por dependência sincera do poder de Deus. O problema é desejar
a glória de minha realização, e não a glória de Deus. Esta é uma forma sutil de
cobiça.
Portanto, conheça a
si mesmo! Conheça os seus pecados, sua condição pecaminosa de rebelião e
insubordinação. Se isto o levar, repetidas vezes, à cruz e ao evangelho da
justificação somente pela graça, por meio da fé, exaltará a Cristo, será cura
para a sua alma e doçura para todos os seus relacionamentos.
Extraído
do livro:
Penetrado pela Palavra, de John Piper
O
leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não
altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de
autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a
Editora Fiel.
Nenhum comentário:
Postar um comentário