segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Hermes C. Fernandes: A origem cristã do Halloween... O quê?
Hermes C. Fernandes: A origem cristã do Halloween... O quê?: Tornou-se rotina em outubro para algumas escolas cristãs e igrejas, enviar cartas de advertência aos pais sobre os males ...
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Dom e Determinação (Nessa Ordem)
por John Piper
Pergunta: Se Deus é Aquele que nos outorga diversas medidas de fé,
devemos buscar uma fé maior?
Resposta: Sim! Com
toda a nossa força! Por meio da oração, da Palavra, da comunhão e da
obediência.
A fé é um dom de Deus.
Romanos 12.3 diz: “Pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus
repartiu a cada um”. Deus outorga a cada crente uma medida de fé. Efésios 2.8
afirma: “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de
Deus”. A palavra “isto” se refere a todo o ato de Deus, incluindo a realização
da obra de salvação na cruz e a sua aplicação por meio da fé. Filipenses 1.29
diz: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente
de crerdes nele”. Crer e padecer são dons de Deus. De modo semelhante, o
arrependimento (o outro lado da fé) é chamado um dom de Deus (2 Tm 2.25; At
11.18). A revelação de Cristo ao coração torna possível a fé e também é um dom
(Mt 16.17; 2 Co 4.4, 6).
Isto não significa que
a fé é estática ou que não devemos buscá-la mais e mais. Em 2 Tessalonicenses
1.3, Paulo diz: “A vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns
para com os outros vai aumentando”. Em 2 Coríntios 10.15, Paulo declara que
tinha esperança de que fé daqueles crentes cresceria.
Portanto, é claro que
a fé precisa crescer e não permanecer estática. O fato de que Deus lhe deu um
nível de fé ontem não significa que a vontade dEle para hoje é que você tenha a
mesma medida de fé. O propósito dEle para você hoje pode incluir uma fé muito
maior. O seu mandamento é que confiemos nEle “em todo tempo” (Sl 62.8) e
cresçamos “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”
(2 Pe 3.18).
Deus ordena o que quer
e concede em medida aquilo que ordena. Mas devemos sempre buscar aquilo que
Deus nos ordena. Ele manda: “Desenvolvei a vossa salvação… porque Deus é quem
efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp
2.12-13). Deus não disse: “Visto que eu efetuo, vocês não devem agir”. Ele
disse: “Porque eu efetuo, vocês realizam”. O dom de Deus não substitui o nosso
esforço, mas capacita-o e sustenta-o.
Afirmamos, juntamente
com Paulo: “A sua graça [de Deus], que me foi concedida, não se tornou vã;
antes, trabalhei…” (1 Co 15.10). O dom da graça produziu o trabalho árduo. Não
acontece de maneira contrária. Paulo disse mais: “Trabalhei muito mais do que
todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo”. O próprio trabalho de
Paulo foi um dom da graça. Sim, isto se parece com o nosso esforço. É um
esforço! Mas isto não é tudo. O esforço não é a raiz. Se é virtuoso, é Deus
“quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.
Ele cumpre “com poder todo propósito de bondade e obra de fé” (2 Ts 1.11). Deus
equipa com “todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é
agradável diante dele” (Hb 13.21).
Por conseguinte,
busquemos a maior fé possível, com todos os meios que a graça de Deus nos tem
dado. Sejamos como Paulo e esforcemo-nos “o mais possível, segundo a sua
eficácia que opera eficientemente” em nós (Cl 1.29). E, quando trabalharmos
arduamente, não pensemos de nós mesmos mais do que é necessário, mas, como
Paulo, digamos: “Não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas
que Cristo fez por meu intermédio… pelo poder do Espírito Santo” (Rm 15.18-19).
Existe um lugar para a determinação na vida cristã (“trabalhei muito mais”),
porém, ela é precedida e capacitada pelo dom (“a graça de Deus comigo”).
Portanto, toda determinação é vivificada pela fé na graça futura.
O leitor tem permissão
para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato,
conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de
tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Deus é o Evangelho
por John Piper
Você já se perguntou por que o perdão de Deus é valioso? Ou, se a vida
eterna é valiosa? Já se perguntou por que alguém quer ter a vida eterna? Por
que desejamos viver para sempre? Estas questões são importantes por ser possível
desejarmos perdão e vida eterna por motivos que comprovam que não os temos.
Por exemplo, considere
o assunto do perdão. Talvez você queira o perdão de Deus por que está muito
infeliz com sentimentos de culpa. Você quer alívio. Se puder crer que Deus o
perdoa, você terá algum alívio, mas não necessariamente a salvação. Se quer o
perdão somente por causa de alívio emocional, você não receberá o perdão de
Deus. Ele não dá o seu perdão àqueles que o usam apenas para ter os dons dEle e
não a Ele mesmo.
Ou, talvez, você
queira ser curado de uma enfermidade ou conseguir um emprego e encontrar uma
esposa. Então, você ouve que Deus pode ajudá-lo a obter estas coisas, mas que,
primeiramente, seus pecados teriam de ser perdoados. Alguém o exorta a crer que
Cristo morreu por seus pecados e lhe diz que, se você crer nisto, seus pecados
serão perdoados. Conseqüentemente, você crê, a fim de que seja removido o
obstáculo à sua saúde e consiga um emprego ou uma esposa. Isto é salvação pelo
evangelho? Não creio que seja.
Em outras palavras, o
que você espera receber por meio do perdão é importante. O motivo por que você
deseja o perdão é importante. Se quer o perdão tão-somente por que deseja gozar
da criação, então, o Criador não é honrado e você não é salvo. O perdão é
precioso por uma única razão: ele o capacita a desfrutar da comunhão com Deus.
Se esta não é razão por que você quer o perdão, você não o terá de maneira
alguma. Deus não será usado como moeda para a compra de ídolos.
Também perguntamos:
por que desejamos ter a vida eterna? Alguém pode responder: “Porque o inferno é
a alternativa dolorosa”. Outro pode dizer: “Porque não haverá nenhuma tristeza
no céu”. Outro pode replicar: “Meus queridos foram para o céu, e quero estar
com eles”. Outros poderiam sonhar com sexo e alimentos intermináveis, ou com
algo mais nobre. Em tudo isso, Alguém está ausente: Deus.
O motivo salvífico
para querermos a vida eterna é apresentado em João 17.3: “E a vida eterna é
esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem
enviaste”. Se queremos a vida eterna por ela significar outra coisa, e não o
regozijo em Deus, não teremos essa vida. Enganamos a nós mesmos dizendo que
somos cristãos, se usamos o glorioso evangelho de Cristo para buscar o que
amamos mais do que buscamos o próprio Cristo. As “boas-novas” não se
comprovarão como boas para qualquer pessoa que não tenha a Deus como seu
principal bem.
Jonathan Edwards
apresentou esta verdade em um sermão à sua igreja, em 1731. Leia estas palavras
lentamente e permita que elas o despertem para a verdadeira vida e o verdadeiro
bem do perdão.
Os redimidos têm todo
o seu verdadeiro bem em Deus. Ele mesmo é o grande bem que possuem e desfrutam
por meio da redenção. Deus é o bem mais sublime, a suma de todo o bem que
Cristo adquiriu. Deus é a herança dos santos; é o quinhão da alma deles. Ele é
a riqueza e o tesouro, o alimento, a vida, a habitação, o ornamento e a coroa,
a glória eterna e duradoura dos santos. Eles não têm nada no céu, exceto a
Deus. Ele é o grande bem no qual os crentes são recebidos na morte e para o
qual eles devem ressurgir no fim do mundo. O Senhor Deus, Ele é a luz da
Jerusalém celestial; é o “rio da água da vida” que corre e a “árvore da vida”
que cresce “no paraíso de Deus”. As gloriosas excelências e belezas de Deus
fascinarão para sempre a mente dos santos, e o amor de Deus será o deleite
eterno deles. Com certeza, os redimidos desfrutarão outras alegrias. Eles se
alegrarão com os anjos e uns com os outros. Mas aquilo que lhes encantará nos anjos
e uns nos outros, ou em qualquer outra coisa; aquilo que lhes proporcionará
deleite e felicidade será o que de Deus poderá ser visto neles.
Extraído do
livro: Penetrado pela Palavra, de John Piper.
Copyright: © Editora FIEL 2009
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011
As Misericórdias de Hoje para os Problemas de Hoje
por John Piper
Uma parte da fé salvadora é a segurança de que amanhã teremos fé.
Confiar em Cristo hoje inclui o crer que Ele lhe dará a confiança de amanhã,
quando o amanhã chegar. Com freqüência, sentimos que nossa reserva de forças
não será suficiente para mais um dia. E, de fato, não será. Os recursos de hoje
são para hoje; e uma parte desses recursos é a confiança de que novos recursos
nos serão dados amanhã.
O alicerce desta
segurança é o maravilhoso ensino bíblico de que Deus determina para cada dia
apenas a quantidade de problemas que este dia é capaz de suportar. Em nenhum
dia, Deus permitirá que seus filhos sejam provados além do que a sua
misericórdia para aquele dia suportará. Isso foi o que Paulo quis dizer em 1
Coríntios 10.13: “Nenhuma prova lhes tem sobrevindo, que não seja comum ao
homem. Deus é fiel, e não permitirá que sejam provados além do que são capazes
de agüentar, mas, com a prova, Ele também dará o meio de escape, para que possam
suportá-la” (tradução do autor).
O antigo hino sueco
“Dia a Dia” é baseado em Deuteronômio 33.25: “A tua força será como os teus
dias” (ARC). O hino nos dá a mesma segurança:
Dia a dia e a cada momento que
passa,
Acho forças para enfrentar minha provação;
Confiando na sábia outorga de meu
Pai,
Não tenho motivo para temor ou
inquietação.
A “sábia outorga de
meu Pai” é equivalente à quantidade de problemas que podemos suportar a cada
dia — e nenhum problema a mais:
Ele, cujo coração é imensuravelmente
bom,
Com amor, dá a sua parte de prazer
e dor,
E, a cada dia, o que julga o
melhor dom
Mesclando com paz e descanso o
intenso labor
Juntamente com a
medida de dor para cada dia, Ele nos dá novas misericórdias. Este é o argumento
de Lamentações 3.22-23: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos
consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã.
Grande é a tua fidelidade”.
As misericórdias de
Deus são novas cada manhã, porque existem misericórdias suficientes para cada
dia. É por isso que tendemos a entrar em desespero, quando pensamos que talvez
possamos ou tenhamos de levar os fardos de amanhã com os recursos de hoje. Deus
deseja que estejamos cientes de que não podemos. As misericórdias de hoje são
para os problemas de hoje; as de amanhã, para os problemas de amanhã.
Às vezes, nos
perguntamos se teremos misericórdia para permanecermos firmes em provas
terríveis. Sim, teremos. Pedro disse: “Se, pelo nome de Cristo, sois
injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória
e de Deus” (1 Pe 4.14). Quando a injúria nos sobrevém, o Espírito da glória se
manifesta. Aconteceu com Estêvão, quando ele estava sendo apedrejado (At
7.55-60). Acontecerá com você. Quando o Espírito e a glória são necessários,
eles surgem.
O maná no deserto foi
dado uma vez por dia. Não havia armazenagem de maná. Essa é a maneira como
temos de depender da misericórdia de Deus. Você não recebe hoje a força para
levar os fardos de amanhã. Recebe misericórdias hoje para os problemas de hoje.
Amanhã, as misericórdias serão renovadas. “Fiel é Deus, pelo qual fostes
chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Co 1.9). “Fiel
é o que vos chama, e Ele também agirá!” (1 Ts 5.24 — tradução do autor.)
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Bebendo Suco de Laranja para a Glória de Deus
por John Piper
Quando me perguntam: “A Doutrina de Depravação Total é bíblica?”, minha
resposta é: “Sim”. Uma das coisas que pretendo dizer com esta resposta é que
todas as nossas ações (sem a graça salvadora) são moralmente maculadas. Em
outras palavras, tudo o que o incrédulo faz é pecaminoso e, portanto,
inaceitável a Deus.
Uma
de minhas razões para crer nisto encontra-se em 1 Coríntios 10.31: “Quer
comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de
Deus”. É pecado desobedecermos este mandamento das Escrituras? Sim.
Por
isso, chego a esta triste conclusão: é pecado alguém comer, ou beber, ou fazer
qualquer outra coisa, se não for para a glória de Deus. Em outras palavras, o
pecado não é apenas uma lista de coisas prejudiciais (matar, roubar, etc.).
Pecamos quando deixamos Deus fora de consideração nas realizações triviais de
nossa vida. Pecado é qualquer coisa que fazemos, que não seja feito para a
glória de Deus.
Mas,
o que os incrédulos fazem para a glória de Deus? Nada. Conseqüentemente, tudo o
que eles fazem é pecaminoso. É isso que pretendo dizer, quando afirmo que, sem
a graça salvadora, tudo que fazemos é moralmente ruim.
Evidentemente,
isto suscita uma questão prática: como podemos “comer e beber” para a glória de
Deus? Tal como, por exemplo, beber suco de laranja no café da manhã?
Uma
das respostas encontra-se em 1 Timóteo 4.3-5:
…[alguns]
proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem
recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a
verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada
é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado.
Suco
de laranja foi criado para ser “recebido com ações de graças, pelos fiéis e por
quantos conhecem plenamente a verdade”. Portanto, os incrédulos não podem usar
suco de laranja para cumprir o propósito que Deus tencionou — ou seja, uma
ocasião para ações de graça sinceras, dirigidas a Ele, provenientes de um
coração de fé.
Mas
os crentes podem, e esta é a maneira como glorificam a Deus. O suco de laranja
que eles bebem é santificado “pela palavra de Deus e pela oração” (1 Tm 4.5). A
oração é a nossa humilde resposta de agradecimento do coração. Crer nesta
verdade, apresentada na Palavra de Deus, e oferecer ações de graça, em oração,
é uma das maneiras de bebermos suco de laranja para a glória de Deus.
A
outra maneira é bebermos com amor. Por exemplo, não insista na porção maior.
Isto é ensinado no contexto de 1 Co 10.33: “Assim como também eu procuro, em
tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de
muitos, para que sejam salvos”. “Sede meus imitadores, como também eu sou de
Cristo” (1 Co 11.1). Tudo o que fazemos — inclusive beber suco de laranja —
pode ser feito com a intenção e a esperança de que será proveitoso para muitos,
a fim de que sejam salvos.
Louvemos
a Deus porque, pela sua graça, fomos libertos da ruína completa de nossos atos.
E façamos tudo, quer comamos, quer bebamos, para a glória de nosso grande Deus!
Extraído do livro: Penetrado pela Palavra, de John Piper.
Copyright: © Editora FIEL 2009
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Amando a Deus por Aquilo que Ele é
por John Piper
Uma das mais admiráveis verdades que descobri foi esta: Deus é mais
glorificado em mim quando sou mais satisfeito nEle.
Este é o lema que
direciona meu ministério como pastor. Afeta tudo o que eu faço.
Se eu como, bebo,
prego, aconselho ou faço — em tudo isso, o meu alvo é glorificar a Deus pela
maneira como o faço (1 Co 10.31). Isto significa que meu alvo é fazer tudo de
modo que revele como a glória de Deus tem satisfeito os anelos de meu coração.
Se a minha pregação denunciasse que Deus não tem satisfeito minhas
necessidades, ela seria fraudulenta. Se Cristo não fosse a satisfação de meu
coração, será que as pessoas creriam, quando eu proclamasse a mensagem dEle:
“Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim
jamais terá sede” (Jo 6.35)?
A glória do pão
consiste em que ele satisfaz. A glória da água viva está no fato de que ela
sacia a sede. Não honramos a água refrescante, auto-renovadora e pura que desce
da fonte na montanha, quando lhe damos nossa contribuição por trazermos baldes
de água de poços do vale. Honramos a fonte por sentirmos sede, ajoelharmo-nos e
bebermos com gozo. Em seguida, dizemos: “Ahhhh!” (isto é adoração!) e
prosseguimos nossa jornada com a força proveniente da fonte (isto é serviço). A
fonte da montanha é mais glorificada quando mais nos satisfazemos com a sua
água.
Tragicamente, muitos
de nós fomos ensinados que o dever, e não o deleite, é a maneira de
glorificarmos a Deus. Não aprendemos que o deleite em Deus é nosso dever!
Satisfazer-se em Deus não é um acréscimo opcional ao verdadeiro dever cristão.
É a exigência mais elementar de todas. “Agrada-te do Senhor” (Sl 37.4). Não é
uma sugestão, é uma ordem, assim como o são: “Servi ao Senhor com alegria” (Sl
100.2) e: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fp 4.4).
A responsabilidade de
um pastor é mostrar com clareza aos outros que o amor de Deus “é melhor do que
a vida” (Sl 63.3). Se o amor de Deus é melhor do que a vida, é também melhor do
que tudo o que a vida neste mundo oferece. Isto significa que a satisfação não
está nos dons, e sim na glória de Deus — a glória do amor, do poder, da
sabedoria, da santidade, da justiça, da bondade e da verdade de Deus.
Esta é a razão por que
o salmista clamou: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me
compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a
fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73.25-26). Nada na
terra, nenhum dos dons de Deus, na criação — podia satisfazer o coração de
Asafe. Somente Deus podia. Davi queria expressar isso quando disse ao Senhor:
“Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente” (Sl 16.2).
Davi e Asafe nos
ensinam, por seu anelo centralizado em Deus, que os dons de Deus — como saúde,
riqueza e prosperidade — não satisfazem. Somente Deus satisfaz. Seria presunção
não agradecer a Deus pelos seus dons (“Não te esqueças de nem um só de seus
benefícios” — Sl 103.2), mas seria uma atitude idólatra chamar de amor a Deus a
alegria que obtemos de tais dons. Quando Davi disse ao Senhor: “Na tua presença
há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 16.11), ele
estava afirmando que estar próximo de Deus é a única experiência
todo-satisfatória do universo.
Não era pelos dons de
Deus que Davi anelava como um amante profundamente apaixonado. “Como suspira a
corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A
minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42.1-2). Davi queria
experimentar uma revelação da glória e do poder de Deus: “Ó Deus, tu és o meu
Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te
almeja, como terra árida, exausta, sem água. Assim, eu te contemplo no
santuário, para ver a tua força e a tua glória” (Sl 63.1-2). Somente Deus
satisfará um coração como o de Davi, que era um homem segundo o coração de
Deus. Fomos criados para sermos assim.
Isto é a essência do
que significa amar a Deus — satisfazer-se nEle. NEle! Amar a Deus pode incluir
obedecer a todos os seus mandamentos, pode incluir crer em toda a sua Palavra e
agradecer-Lhe por todos os seus dons. Mas a essência de amar a Deus é desfrutar
de tudo o que Ele é. Este desfrutar de Deus glorifica mais plenamente a
dignidade dEle, em especial quando tudo ao redor de nossa alma está
desmoronando.
Todos sabemos disso
por intuito, bem como por meio das Escrituras. Sentimo-nos mais honrados pelo
amor daqueles que nos servem por obrigação ou pelo deleite da comunhão? Minha
esposa é mais honrada quando eu lhe digo: “Gastar tempo com você me torna
feliz”. Minha felicidade é o eco da excelência dela. O mesmo é verdade em
relação a Deus. Ele é mais glorificado quando nos satisfazemos mais nEle.
Nenhum de nós tem
chegado à completa satisfação em Deus. Freqüentemente, sinto-me triste com o
murmurar de meu coração sobre a perda de confortos mundanos, mas tenho provado
que o Senhor é bom. Pela graça de Deus, conheço agora a fonte de gozo eterno;
por isso, gosto muito de passar os dias atraindo as pessoas a este gozo, até
que possam dizer comigo: “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa
morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza
do Senhor e meditar no seu templo” (Sl 27.4).
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011
O Lugar do Espírito Santo na Trindade
por John Piper
Durante uma série de
mensagens com base no livro de Hebreus, alguém perguntou a respeito de meu
ponto de vista sobre o Espírito Santo. A razão para isso é que o Espírito Santo
não recebe tanta atenção quanto o Pai e o Filho. Este é um assunto difícil, mas
tentei esclarecê-lo. Eis o que escrevi em resposta.
Tenho enfatizado (a
partir de textos como Hebreus 1.3; Colossenses 1.15; 2.9; Filipenses 2.6; 2
Coríntios 4.4 e João 1.1) que o Filho de Deus é o reflexo do próprio Deus Pai,
em sua auto-consciência. Deus tem uma idéia perfeitamente clara e total de suas
perfeições. Esta imagem de Deus é tão perfeita e completa, que é, na realidade,
a manifestação de Deus, o Filho, uma pessoa com seus próprios direitos.
Portanto, Deus Filho
não é criado, nem formado. Ele é co-eterno com o Pai, porque o Pai sempre teve
essa perfeita imagem de Si mesmo. O Filho é dependente do Pai, como uma imagem
depende do original, mas não é inferior em qualquer atributo divino, porque é
uma cópia viva e plena das perfeições do Pai. De fato, isto é um grande
mistério — como uma idéia, um reflexo ou imagem do Pai pode realmente ser uma
pessoa, com seus próprios direitos? — e não imagino que sou capaz de tornar o
infinito completamente controlável.
Ora, o que dizer sobre
o Espírito Santo? Acho proveitoso observar que a mente de Deus, refletida em
nossa própria mente, tem duas faculdades: entendimento e vontade (tendo as
emoções como os atos mais vívidos da vontade). Em outras palavras, antes da
Criação, Deus podia relacionar-se consigo mesmo de duas maneiras: podia
conhecer e amar a Si mesmo. Em conhecer a Si mesmo, Deus gerou o Filho, a
perfeita, completa e total imagem pessoal dEle mesmo. Em amar a Si mesmo, o
Espírito Santo procedeu do Pai e do Filho.
Portanto, o Filho é a
eterna imagem que o Pai tem de suas próprias perfeições, e o Espírito Santo é o
eterno amor que flui entre o Pai e o Filho, visto que se deleitam Um no Outro.
Como pode este amor
ser uma pessoa em seus próprios méritos? As palavras falham, mas não podemos
dizer que o amor entre o Pai e o Filho é tão perfeito, tão constante e envolve
tão completamente o que o Pai e o Filho são em Si mesmos, que este amor se
manifesta como uma Pessoa em seus próprios méritos?
C. S. Lewis tentou
apresentar isso usando uma analogia — mas é somente uma analogia:
Você sabe que entre os
seres humanos, quando se reúnem em família, ou num clube, ou numa sociedade
comercial, as pessoas falam sobre o “espírito” daquela família, daquele clube
ou daquela sociedade comercial. Elas falam sobre “espírito” porque os membros
individuais, quando se reúnem, desenvolvem maneiras particulares de conversarem
e se comportarem, maneiras que não teriam, se estivessem sozinhos. É como se
uma personalidade coletiva viesse à existência. Na verdade, não é uma pessoa
real: é apenas semelhante a uma pessoa. Mas essa é somente uma das diferenças
entre Deus e nós. O que resulta da vida conjunta de Deus Pai e Deus Filho é uma
Pessoa real; é, de fato, a Terceira das três Pessoas que são Deus.
Estes são mistérios
profundos. Todavia, para amar e conhecer a Deus, considero proveitoso ter em
mente, pelo menos, alguma concepção quando afirmo que existe somente um Deus e
de que Ele existe em três Pessoas. É nosso dever e deleite adorar o nosso
grande Deus, mas Ele não é honrado mediante adoração ignorante, pois isto seria
uma charada. A adoração tem de se fundamentar em algum conhecimento. Do
contrário, não é o verdadeiro Deus a quem adoramos.
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e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e
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terça-feira, 18 de outubro de 2011
Meditação Sobre a Sede na Manhã de Segunda-feira
por John Piper
Ao me ajoelhar naquela
manhã de segunda-feira, durante meu devocional, disse: “Ó Senhor, tem
misericórdia de mim, pecador! Ajuda-me. Por favor, vem e restaura a minha
alma”. Em seguida, perguntei calmamente: “Senhor Jesus, o que querias dizer
quando falaste: ‘Aquele… que beber da água que eu lhe der nunca mais terá
sede’? Estou com sede nesta manhã. Ouvi meu colega David Livingston dizendo,
ontem à noite, que ele tem sede. Quase todo crente que vem ao meu escritório
tem sede. Qual era a tua intenção ao dizer que aqueles que bebessem da tua água
não teriam mais sede? Não temos bebido? Esta promessa é vã?”
O Senhor respondeu.
Ele me mostrou o resto do versículo, e derramou sobre ele uma luz que nunca
vira antes. João 4.14 começa assim: “Aquele… que beber da água que eu lhe der
nunca mais terá sede”. Isso foi o que me levou a clamar: “O que pretendias
dizer? Estou tão sedento! Minha igreja está sedenta! Os pastores com quem eu
oro estão com sede! Ó Jesus, o que querias dizer?”
Jesus respondeu da
única maneira pela qual sei que Ele responde. Abriu-me os olhos para ver o
significado do que disse na Bíblia. Eu já havia memorizado esse versículo na
manhã do domingo, para a minha própria alma e para um possível uso na oração
pastoral. Assim, enquanto eu orava, os elementos da comunicação divina estavam
no seu devido lugar. (Oh! que percepção perdemos quando não memorizamos mais
das Escrituras!)
Enquanto eu suplicava,
a segunda parte do versículo falou por si mesma. Jesus disse: “Pelo contrário,
a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna”. Com
estas palavras, veio a resposta. Não era uma voz audível, e sim, a voz de
Jesus, na Palavra iluminada e aplicada pelo Espírito Santo.
A resposta era assim:
quando bebem da minha água, a sede de vocês não é aniquilada para sempre. Se
isso acontecesse, vocês sentiriam, posteriormente, qualquer necessidade de
minha água? Esse não é meu objetivo. Não quero santos auto-suficientes. Quando
bebem da minha água, ela se torna uma fonte em vocês. Uma fonte satisfaz a
sede, não por remover a necessidade por água, e sim por estar lá, para lhes dar
água sempre que têm sede. Vez após vez! Como nesta manhã. Portanto, beba, John.
Beba.
Agora, enquanto
escrevo, vejo esta verdade preciosa no Salmo 23: “O Senhor é o meu pastor; nada
me faltará”. Apesar disso, clamamos: “Ó Senhor, hoje eu tenho necessidades!
Conheço centenas de pessoas que têm necessidades e confiam em Ti como o pastor
delas. Qual a tua intenção ao dizer que nada nos faltará?”
Agora, aprendemos uma
lição. Primeiramente, clamamos. Depois, lemos: “Ele me faz repousar em pastos
verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma”.
Refrigera-me. Isso significa que as necessidades surgem em minha alma, e,
então, o Senhor Jesus as satisfaz. Elas surgem novamente; Ele as satisfaz. A
vida é um ritmo de necessidade e suprimento — e, às vezes, um ritmo de perigo e
livramento. “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte…”. O vale se
tornará (novamente) em verdes pastos, e as águas tranqüilas fluirão
(novamente!). Até agora, a fonte está jorrando do interior e o fará para
sempre. Por que a fonte, em nosso íntimo, não é nós mesmos; é Deus. “Quem crer
em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto
ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem”
(Jo 7.38-39).
A sede é satisfeita
pelo Espírito de Cristo revelando-nos a Si mesmo e as suas promessas, para a
satisfação de nossa alma. Mas a sede não é obstruída, para que não percamos o
impulso de vir a Ele vez após vez, em busca de tudo o que Deus prometeu ser
para nós em Jesus.
Aquele que tem sede
venha e continue vindo, até que nossa comunhão seja tão íntima, que não haja
qualquer distância entre nós e o Senhor.
O
leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não
altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de
autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a
Editora Fiel.quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Fontes Transcendentes de Ternura
por John Piper
A ternura de Deus para
com os humildes está arraigada em sua auto-suficiência transcendente. Isto
significa que aqueles que amam enaltecer a grandeza de Deus (o que todos
deveriam fazer, de acordo com Salmos 40.16) precisam deleitar-se na ternura
para com os humildes. Deus exalta a sua auto-suficiência transcendente por amar
o órfão, a viúva e o estrangeiro.
Deus é Deus sobre todos os outros deuses. Ele é o Senhor sobre todos os senhores. Ele é “grande”. É “poderoso”. É “temível”. Com base nesta grandeza, Moisés disse que Deus “não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno”. Tudo isso enfatiza a auto-suficiência transcendente de Deus. Ele não aceita suborno, porque não tem motivo para aceitá-lo. Deus já possui todo o dinheiro do universo, e controla o subornador. Ele está acima dos subornos como o sol está acima das velas ou como a beleza está acima dos espelhos.
Moisés também disse que Deus não faz acepção de pessoas. Ou seja, Ele não tenta conquistar o favor de alguém por meio de tratamento especial. Fazer acepção de pessoas é outro tipo de suborno, não com dinheiro, mas com tratamento privilegiado. Deus está acima disso, porque não precisa do favor dos outros. Se Ele quer que algo seja feito, não fica preso a estratégias coercivas. Ele simplesmente o realiza. Fazer acepção de pessoas é o que você faz, quando não pode enfrentar as conseqüências da justiça. Mas Deus não é somente capaz de enfrentar essas conseqüências, Ele é a fonte de toda capacidade de enfrentá-las. Deus não depende de ninguém, além dEle mesmo. Ele é transcendentemente auto-suficiente.
Agora, temos a parte mais preciosa. Com base nessa auto-suficiência transcendente, Moisés disse que Deus “faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes”. Visto que Deus não pode ser subornado pelo rico e não tem deficiências a serem remediadas por meio do favoritismo, Ele trabalha em favor daqueles que não se podem dar ao luxo de pagar subornos e que nada têm para atrair a parcialidade dEle — o órfão, a viúva e o estrangeiro. Esta é a razão por que eu disse que a ternura de Deus para com o humilde está arraigada em sua auto-suficiência transcendente.
Em seguida, temos a aplicação no versículo 19: “Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito”. Isto não deve ser feito por sermos transcendentemente auto-suficientes. Deve ser feito por sermos os beneficiários da abundante plenitude transcendente de Deus. Visto que o nosso Deus transcendente age por nós e nos satisfaz consigo mesmo, podemos nos unir a Ele em condescendência. Esta é a razão para crermos que continuaremos a ser beneficiários, se não tentarmos suborná-Lo com nossas obras ou exibir-nos para conquistar a predileção dEle. Se nos reconhecermos como pessoas em condição de desamparo, semelhante à de uma viúva, de um órfão ou de um estrangeiro, e dependermos da espontânea graça futura de um Salvador auto-suficiente, seremos amados para sempre. E, sendo amados dessa maneira, teremos poder e prazer em amar como somos amados.
Isto é o que está subentendido em Tiago 1.27: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações”. Esta é a verdadeira religião, porque flui da auto-suficiência transcendente de Deus, é sustentada pela sua graça e ecoa para a sua glória. Isto não corresponde a fazer o bem socialmente. É uma evidência da abundante provisão de Deus. Que Deus nos torne um povo cheio de ternura, para a glória de sua transcendente auto-suficiência!
Deus é Deus sobre todos os outros deuses. Ele é o Senhor sobre todos os senhores. Ele é “grande”. É “poderoso”. É “temível”. Com base nesta grandeza, Moisés disse que Deus “não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno”. Tudo isso enfatiza a auto-suficiência transcendente de Deus. Ele não aceita suborno, porque não tem motivo para aceitá-lo. Deus já possui todo o dinheiro do universo, e controla o subornador. Ele está acima dos subornos como o sol está acima das velas ou como a beleza está acima dos espelhos.
Moisés também disse que Deus não faz acepção de pessoas. Ou seja, Ele não tenta conquistar o favor de alguém por meio de tratamento especial. Fazer acepção de pessoas é outro tipo de suborno, não com dinheiro, mas com tratamento privilegiado. Deus está acima disso, porque não precisa do favor dos outros. Se Ele quer que algo seja feito, não fica preso a estratégias coercivas. Ele simplesmente o realiza. Fazer acepção de pessoas é o que você faz, quando não pode enfrentar as conseqüências da justiça. Mas Deus não é somente capaz de enfrentar essas conseqüências, Ele é a fonte de toda capacidade de enfrentá-las. Deus não depende de ninguém, além dEle mesmo. Ele é transcendentemente auto-suficiente.
Agora, temos a parte mais preciosa. Com base nessa auto-suficiência transcendente, Moisés disse que Deus “faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes”. Visto que Deus não pode ser subornado pelo rico e não tem deficiências a serem remediadas por meio do favoritismo, Ele trabalha em favor daqueles que não se podem dar ao luxo de pagar subornos e que nada têm para atrair a parcialidade dEle — o órfão, a viúva e o estrangeiro. Esta é a razão por que eu disse que a ternura de Deus para com o humilde está arraigada em sua auto-suficiência transcendente.
Em seguida, temos a aplicação no versículo 19: “Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito”. Isto não deve ser feito por sermos transcendentemente auto-suficientes. Deve ser feito por sermos os beneficiários da abundante plenitude transcendente de Deus. Visto que o nosso Deus transcendente age por nós e nos satisfaz consigo mesmo, podemos nos unir a Ele em condescendência. Esta é a razão para crermos que continuaremos a ser beneficiários, se não tentarmos suborná-Lo com nossas obras ou exibir-nos para conquistar a predileção dEle. Se nos reconhecermos como pessoas em condição de desamparo, semelhante à de uma viúva, de um órfão ou de um estrangeiro, e dependermos da espontânea graça futura de um Salvador auto-suficiente, seremos amados para sempre. E, sendo amados dessa maneira, teremos poder e prazer em amar como somos amados.
Isto é o que está subentendido em Tiago 1.27: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações”. Esta é a verdadeira religião, porque flui da auto-suficiência transcendente de Deus, é sustentada pela sua graça e ecoa para a sua glória. Isto não corresponde a fazer o bem socialmente. É uma evidência da abundante provisão de Deus. Que Deus nos torne um povo cheio de ternura, para a glória de sua transcendente auto-suficiência!
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terça-feira, 11 de outubro de 2011
Diga com Calma: “Suas Opiniões Ultrajantes não se Baseiam na Verdade”
por John Piper
Nossa tarefa, como crentes, não é controlar o governo e a educação.
Nossa tarefa é falar a verdade de Deus em cada nível. Se mudamos ou não as
pessoas ou as leis, esta não é a nossa responsabilidade. Nossa responsabilidade
é falarmos com ousadia e clareza o que Deus falaria.
Não
emudeça devido ao comentário de que você não pode impor sua religião ou
moralidade aos outros. Você não está impondo; está recomendando-as à
consideração séria. Declarar e persuadir não é impor. Recomendar não é coerção.
O fato é este: as idéias que as pessoas têm a respeito do que deve ser feito são
norteadas por algum tipo de compromisso prévio. Os secularistas, assim como os
crentes, têm uma visão de mundo que norteia as suas opiniões. Toda sugestão
política está fundamentada em uma visão de como as coisas deveriam ser.
O
cristianismo é verdadeiro, por isso ele ecoa (embora fragilmente) em cada
coração. Você nunca sabe quando a afirmação pública de suas convicções
ressoarão notas de retidão em algum grupo secular. Não fique sobrecarregado com
o ter de controlar. Levante-se e fale o que Deus falaria a respeito do assunto.
Talvez você se surpreenda com o fato de que outros estavam esperando que alguém
o falasse.
Por
exemplo, as suas convicções bíblicas são menos defensáveis do que o
pronunciamento sem base moral transcrito em seguida?
Recentemente,
um serviço particular de aconselhamento em saúde mental, de Minneapolis,
publicou um livrete para “dar informação a respeito da variedade de problemas
pessoais sobre os quais é difícil falar”. Esse livrete foi distribuído aos
estudantes de, pelo menos, uma escola de Ensino Médio, como parte do programa
de educação sexual. Eis alguns exemplos da “informação” transmitida.
Escolher
quando, como e com quem fazer sexo é uma parte importante do preparar-se para
ser adulto. Escolha parceiros cuidadosamente.
A
masturbação mútua, com o seu parceiro, é prazerosa e segura.
Conversar
e encontrar-se com outros homossexuais para ajudá-lo a entender como sua
preferência sexual pode ser uma parte importante e saudável de sua vida.
Acabe
com a gravidez fazendo aborto… No aspecto médico, é melhor fazer um aborto
depois da sexta semana e antes da décima segunda semana de gravidez.
O
vírus HIV pode ser evitado. Isto pode significar que você tem de fazer algumas
mudanças na maneira como faz sexo, mas não significa que tem de parar de fazer
sexo.
Quando
você encontra afirmações como essas sendo feitas de forma pública, pode
simplesmente levantar-se e, numa voz calma, dizer: “Esta moralidade não tem
base na verdade. É a opinião de homens, não de Deus. Portanto, é falsa e
prejudicial. A vontade de Deus para a sexualidade humana é a abstinência até ao
casamento e a monogamia heterosexual sem adultério. Isso traz justiça, saúde e
felicidade ao mundo. Recomendo que o conselho que damos aos nossos adolescentes
corresponda à verdade. Obrigado”. Então, assente-se.
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para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato,
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sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Como Orar em Favor da Alma (a sua e a de outros)
Orando em sincronia com a maneira
como Deus age
Para as pessoas
prudentes, a maneira de orar em favor da alma é governada pela maneira como
você crê que Deus age. Por exemplo, se você crê que Deus muda a alma das
pessoas, para que tomem decisões novas e corretas, então Lhe pedirá que realize
essa mudança da alma por meio do evangelismo e do ensino. Mas nem todos são
prudentes no que diz respeito à maneira como oram. Não consideram que um
conceito sobre a pessoa de Deus está por trás de suas orações.
Portanto, o que estou
sugerindo é que aprendamos a orar em favor da alma, primeiramente, com base na
maneira como a Bíblia expressa esse tipo de oração. Se fizermos isso, nossas
orações provavelmente serão boas orações, e, nesse processo, aprenderemos como
Deus age.
Eis a maneira como eu
oro em favor de minha alma. Faço estas súplicas repetidas vezes — em favor de
mim mesmo, minha esposa, meus filhos, nossos presbíteros e pastores e toda a
nossa igreja. Isto é o “feijão e arroz” de minha vida de oração.
1. A primeira coisa
que minha alma necessita é uma inclinação por Deus e sua Palavra. Sem isso,
nada valioso acontecerá em minha vida. Tenho de querer conhecer a Deus, ler a
sua Palavra, aproximar-me dEle. De onde vem esse “querer”? Vem de Deus. Por
isso, Salmos 119.36 nos ensina a orar: “Inclina-me o coração aos teus
testemunhos e não à cobiça”.
2. Preciso ter os
olhos de meu coração abertos, para que, quando a minha inclinação levar-me à
Palavra, eu veja o que ela realmente diz e não as minhas próprias idéias. Quem
abre os olhos do coração? Deus o faz. Por isso, Salmos 119.18 nos ensina a
orar: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei”.
3. Também preciso que
meu coração seja iluminado com essas maravilhas. Tenho de ver a glória que há
nessas maravilhas e não somente os fatos interessantes. Quem ilumina o coração?
Deus o ilumina. Por isso, Efésios 1.18 nos ensina a orar que sejam “iluminados
os olhos do vosso coração”.
4. Preocupo-me em que
meu coração não fique dolorosamente fragmentado e partes dele permaneçam na
escuridão, enquanto outras partes estão iluminadas. Por isso, anelo que
meu coração esteja unido com Deus. De onde procede a integralidade do
coração e a união com Deus? De Deus. Por isso, Salmos 86.11 nos ensina a
orar: “Andarei na tua verdade; une o meu coração ao temor do teu nome” (Bíblia
Revista e Corrigida).
5. O que eu realmente
espero desse envolvimento com a Palavra de Deus e com o Espírito Santo, em
resposta às minhas orações, é que meu coração se satisfaça com Deus, e não com
o mundo. De onde vem essa satisfação? Ela vem de Deus. Por isso, Salmos 90.14
nos ensina a orar: “Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos
de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias”.
6. Não desejo que
minha felicidade seja fraca ou débil, e sim forte e durável, em meio às piores
adversidades. Quero ser forte na alegria e perseverar durante as épocas de
provações. De onde vêm esse vigor e perseverança? Eles vêm de Deus. Por isso,
Efésios 3.16 nos ensina a orar: “Para que, segundo a riqueza da sua glória, vos
conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem
interior”.
7. Não quero que meu
vigor em Cristo seja frutífero apenas para mim, mas também para os outros.
Evidentemente, “mais bem-aventurado é dar que receber” (Atos 20.35). Por isso,
quero produzir boas obras e atos de amor para as outras pessoas, de modo que a
glória de Deus seja vista em minha vida, e outros provem e vejam que o Senhor é
bom. Quem produz essas obras de amor? Deus as produz. Por isso, Colossenses
1.10 nos ensina a orar: “A fim de viverdes de modo digno do Senhor…
frutificando em toda boa obra”.
8. Finalmente, para
que não perca o alvo final, eu oro, dia após dia — como um tipo de bandeira que
drapeja sobre todas as minhas orações — “Santificado seja o teu nome” (Mateus
6.9). Senhor, faze que teu nome seja conhecido, temido, amado, apreciado,
admirado, adorado e crido, por causa de minha vida e ministério.
Tudo isso eu oro em nome
de Jesus, porque Deus nos dá essas coisas somente com base na morte de Jesus.
Ele morreu por mim e removeu a ira de Deus, para que o Pai me desse
gratuitamente todas as coisas (Romanos 8.32).
Senhor, ensina-nos a
orar, desde o começo até ao fim, de uma maneira bíblica e com uma percepção
bíblica de como Tu ages no mundo. Mostra-nos a Ti mesmo e como Tu ages, para
que oremos como devemos. E ensina-nos a orar como devemos, para que vejamos
como Tu ages.
Permissões: a postagem de trechos deste
livro foi realizada com permissão da Editora Fiel. Se você deseja mais
informações sobre permissões contate-os.
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