terça-feira, 30 de março de 2010

Stryper e a patrulha de plantão


A primeira banda de música cristã (não gosto do rótulo “evangélica”, e música “gospel” simplesmente é outro gênero, nada a ver com o que é chamado de gospel no Brasil) que ouvi foi Stryper. Conheci a banda antes mesmo da minha conversão, e achava interessante quatro caras cabeludos e maquiados cantarem coisas de Deus e soltando gritinhos de “aleluia”. Era o auge do glam metal, em meados dos anos 80. É, sou meio dinossauro.

Stryper acabou e voltou. Tive a oportunidade de vê-los ao vivo em Belo Horizonte. Um dos melhores show que já assisti, com certeza.
Stryper sempre foi alvo de controvérsia. No começo eles eram combatidos por (a-ham…) Jimmy Swaggart, que os acusava de jogarem pérolas aos porcos, numa referência à distribuição de bíblias no show. Foram questionados em relação à fé, por causa das roupas de palco e do som.

Agora vem uma notícia que, com certeza, atiçará o patrulhamento: Stryper gravará um disco só com covers de bandas seculares. Gravarão músicas de Iron Maiden (horror!), Kiss (horror!!), Queen (horror!!!), Judas Priest (horror!!!!), entre outros. Posso sentir o cheiro das tochas sendo acesas.

Sou um cristão protestante há exatos 22 anos. O que me entristece é que a mediocridade e o farisaísmo gerais crescem na proporção inversa do meu envelhecimento. Os evangélicos (com as exceções de praxe) são marcadamente superficiais, fúteis, irrelevantes e egocêntricos, quando deveriam trazer uma mensagem profunda, impactante, relevante e altruísta. Medimos a vida do outro com base em nossa expectativa de satisfação egoísta. O espelho virou molde. Preocupam-se com a estética, e pouco se importam com a ética.

Como disse alguém que ainda não descobrimos quem foi, devendo já ser mestres em razão do tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. Ora, qualquer que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança; mas o alimento sólido é para os adultos, os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal (Hb 5.12-14).

Pois é. A falta de intimidade com a Palavra gera pessoas que afirmam que a oposição a seus “negócios” é fruto de “inveja”, como disse certa vez Marco Feliciano. Essa mesma falta de intimidade gera os necessários seguidores/consumidores/tietes desse tipo de gente, que confunde ministério com carreira e negócio. E, para finalizar, essa falta de traquejo faz com que pessoas impliquem com outras por gravarem músicas seculares, mas fazem ouvidos de mercador para as idiotices proferidas pelas estrelas gospel do momento.

fonte: blog do Digão

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