Uma lição
de amor ministrada por Agostinho
Na história da igreja, poucas pessoas ultrapassaram
Agostinho em retratar a grandeza, a beleza e a qualidade de ser desejado
inerentes de Deus. Agostinho estava completamente convencido, pela experiência
e pela Palavra de Deus, de que “feliz é aquele que possui a Deus” (Thomas A.
Hand,Augustine on Prayer, New York: Catholic Book Publishing Co.,
1986, p. 17). “Tu nos fizeste para Ti mesmo, e nossos corações não acham paz,
enquanto não descansam em Ti” (Augustine,Confessions, I, 1).
Agostinho trabalhou com todo o seu vigor para fazer conhecido e amado, no
mundo, este Deus de graça e alegria soberanas.
Tu estás sempre em
atividade, contudo sempre em descanso. Tu reúnes todas as coisas a Ti mesmo,
embora não precises de coisa alguma… O erro Te entristece, mas não sofres
qualquer dor. Podes ficar irado, mas sereno. Tuas obras são variadas, mas o teu
propósito é o mesmo… Recebes aqueles que vêm a Ti, embora nunca os tenha
perdido. Nunca estás em necessidade, mas Te alegras em conquistar; nunca és
cobiçoso, embora exijas um retorno de teus dons… Perdoas as nossas dívidas, mas
não sofres nenhum dano com isso. Tu és o meu Deus, a minha vida, o meu deleite
santo. Mas, isto é o suficiente a ser dito a teu respeito? Algum homem pode
afirmar o bastante, quando fala a teu respeito? No entanto, ai daqueles que se
mantêm em silêncio no que se refere a Ti! (Augustine, Confessions, I,
4)
Se é verdade, como
disse R. C. Sproul, que hoje “não ficamos livres do cativeiro pelagiano na
igreja” (“Augustine and Pelagius”, em Tabletalk, junho de
1996, p. 52), então, devemos orar, pregar, escrever, ensinar e labutar, com
todo vigor, para romper os grilhões que nos mantêm cativos. Pelágio, um monge
britânico, era um pregador popular nos anos 401 a 409 d.C. Ele era o
arqui-inimigo de Agostinho porque rejeitava a noção de que a vontade do homem
era escravizada pelo pecado e necessitava de graça especial para crer em Cristo
e fazer o bem. Ele rejeitava a oração de Agostinho: “Dá-me graça [ó Senhor]
para fazer o que Tu ordenas e ordena-me fazer o que tu queres” (Confessions,
X, 31). R. C. Sproul disse: “Precisamos de um Agostinho ou de um Lutero para
falar conosco novamente, para que a graça de Deus não seja obscurecida nem
obliterada em nossa época” (“Augustine and Pelagius”, 52).
Sim, precisamos
realmente. Mas precisamos também de milhares de pastores comuns que estejam
encantados com a extraordinária soberania da alegria que pertence a Deus e
procede tão-somente dEle. E precisamos redescobrir o ponto de vista peculiar de
Agostinho — um ponto de vista muito bíblico — sobre a graça como o dom
espontâneo da alegria soberana, em Deus, que nos liberta da escravidão do
pecado. Precisamos reconsiderar nosso ponto de vista reformado sobre a
salvação, de modo que a seiva do deleite agostiniano esteja fluindo em todo
ramo e todo galho da árvore.
Precisamos deixar
claro que a depravação total não é somente malignidade, é
também não enxergar a beleza e estar morto para o regozijo; que a eleição
incondicional significa que a totalidade de nosso gozo em Jesus foi
planejada para nós, antes que existíssemos; que a expiação
limitada é a certeza de que a alegria indestrutível que temos em Deus
é infalivelmente outorgada a nós mediante o sangue da aliança; que a graça
irresistível é o compromisso e o poder do amor de Deus em assegurar
que não ficaremos presos a prazeres suicidas e também de nos tornar livres
mediante o supremo poder de prazeres superiores; e que a perseverança
dos santos é a poderosa obra de Deus em preservar-nos, em meio a toda
a aflição e sofrimento, para uma herança de prazeres que estão à direita de
Deus, para sempre.
Esta nota de
alegria triunfante e soberana é um elemento que está ausente em grande parte da
teologia e do culto reformado. Talvez deveríamos perguntar a nós mesmos: isso
acontece por que não temos experimentado o triunfo da alegria soberana em
nossas vidas? Será que podemos falar como Agostinho?
Como foi maravilhoso
eu ficar repentinamente livre daquelas alegrias infrutíferas que
antes eu tinha medo de perder!… Tu as expulsaste de mim; Tu, que és
a verdadeira e a soberana alegria. Tu as expulsaste de mim e
ocupastes o lugar delas… Ó Senhor, meu Deus, minha Luz, minha Riqueza, minha
Salvação (Confissões, IX, 1).
Estamos em
escravidão aos prazeres deste mundo, de modo que, apesar de toda a nossa
conversa sobre a glória de Deus, amamos a televisão, a comida, o sono, o sexo,
o dinheiro e o louvor humano, tais como outras pessoas os amam? Se isto é
verdade, arrependamo-nos e fixemos resolutamente os nossos olhos na Palavra de
Deus, orando: Senhor, abre os meus olhos para que eu tenha a soberana visão de
que em tua presença há plenitude de alegria e à tua direita, delícias perpetuamente
(Salmos 16.11).
Permissões: a postagem de trechos deste livro foi
realizada com permissão da Editora Fiel. Se você deseja mais informações sobre
permissões contate-os.
Nenhum comentário:
Postar um comentário