por John Piper
Recentemente, enquanto
lia e meditava sobre a carta aos Hebreus, ocorreu-me, vigorosamente, que uma
razão básica e constrangedora para a educação — o treinamento rigoroso da mente
— é que uma pessoa pode ler a Bíblia com entendimento.
Esta afirmativa parece
óbvia demais para ser útil ou compelidora, mas isto é porque vemos a
preciosidade da leitura como algo garantido. Erramos em não apreciar o tipo de
pensamento que uma passagem bíblica complexa exige.
A carta aos Hebreus,
por exemplo, é um argumento intelectualmente desafiador, fundamentado em textos
do Antigo Testamento. As questões que o autor aborda estão ligadas a
observações bíblicas que percebemos tão-somente por uma leitura rigorosa, e não
por uma leitura rápida e superficial. Entender as interpretações do Antigo
Testamento no texto de Hebreus exige esforço mental e meditação árdua. O mesmo
poderia ser dito sobre os extensivos argumentos de Romanos, Gálatas e outros livros
da Bíblia.
Este é um argumento
convincente para darmos aos nossos filhos um treinamento disciplinado e
inflexível a respeito de como pensar os pensamentos de um autor, em determinado
texto — especialmente, um texto da Bíblia. Temos de aprender o alfabeto, o
vocabulário, a gramática, a sintaxe, os rudimentos da lógica e a maneira como o
significado é transmitido por meio da conexão de sentenças e parágrafos.
A razão por que os
crentes sempre têm estabelecido escolas onde implantam igrejas é que somos um povo
dado à leitura de um livro. É verdade que o livro não terá seus efeitos
apropriados sem a oração e o Espírito Santo. A Bíblia não é um livro-texto a
ser debatido. É uma fonte que satisfaz a sede espiritual e a fome da alma. É
uma revelação de Deus, um poder vivificante, uma espada de dois gumes. Nada
disso, porém, muda o fato de que, sem a disciplina da leitura, a Bíblia é tão
incapaz como o papel. Talvez alguém tenha de ler a Bíblia para você, mas, o
fato é que sem a sua leitura, o seu poder e significado permanecem trancados.
Não é notável que
muitas vezes Jesus esclareceu grandes assuntos com uma referência à leitura?
Por exemplo, quanto ao assunto do sábado, Ele disse: “Não lestes o que fez
Davi…? (Mt 12.3) No que concerne ao divórcio e ao novo casamento, Jesus disse:
“Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher…?” (Mt
19.4) Sobre a verdadeira adoração e louvor, Ele disse: “Nunca lestes: Da boca
de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt 21.16) Quanto à
ressurreição, Jesus disse: “Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os
construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular?” (Mt
21.42) Ao intérprete da Lei que provou a Jesus inquirindo-O sobre a vida
eterna, Ele disse: “Que está escrito na Lei? Como interpretas?” (Lc 10.26)
O apóstolo Paulo
também deu à leitura um importante lugar na vida da igreja. Por exemplo, ele
disse aos crentes de Corinto: “Porque nenhuma outra coisa vos escrevemos, além
das que ledes e bem compreendeis; e espero que o compreendereis de todo” (2 Co
1.13). À igreja de Éfeso, ele disse: “Pelo que, quando ledes, podeis
compreender o meu discernimento do mistério de Cristo” (Ef 3.4). À igreja de
Colossos, Paulo disse: “E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai
por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia,
lede-a igualmente perante vós” (Cl 4.16). Ler as cartas do apóstolo Paulo era
tão importante, que ele o ordenou com uma imprecação: “Conjuro-vos, pelo
Senhor, que esta epístola seja lida a todos os irmãos” (1 Ts 5.27).
A habilidade de ler
não é intuitiva. Tem de ser ensinada. E aprender a ler com entendimento é uma
tarefa vitalícia. As implicações para os crentes são imensas. A educação da
mente na rigorosa disciplina de leitura meditativa é um dos primeiros objetivos
da educação. A igreja de Jesus fica debilitada, quando seu povo é seduzido a
pensar que é humilde, ou democrático, ou relevante oferecer uma educação
prática que não envolve o treinamento rigoroso da mente, para que esta pense
com dedicação e interprete o significado de textos difíceis. O assunto de
ganhar a vida não é tão importante quanto o de a próxima geração ter acesso
direto ao significado da Palavra de Deus.
Precisamos de uma
educação que dê o mais elevado valor (depois de o dar ao próprio Deus) ao
conhecimento do significado do Livro de Deus e ao desenvolvimento das
habilidades que nos trarão as suas riquezas por toda a vida. Seria melhor
morrer por falta de alimento do que não assimilar o significado da carta aos
Romanos. Senhor, não permita que falhemos para com a próxima geração!
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