por John Piper
Por muitos anos, tenho
procurado entender como a centralidade de Deus em Si mesmo se relaciona com o
seu amor por pecadores como eu. Muitas pessoas não vêem a paixão de Deus por
sua própria glória como um ato de amor. Uma das razões para isto é o fato de
que temos absorvido a definição do mundo a respeito do amor. O mundo diz: você
é amado quando é mimado.
O
maior problema desta definição de amor é que, ao tentarmos aplicá-la ao amor de
Deus por nós, ela distorce a realidade. O amor de Deus por nós não se revela
principalmente em que Ele nos valoriza, e sim em que Ele nos dá a capacidade de
nos regozijarmos em apreciá-Lo para sempre. Se centralizamos e focalizamos o
amor de Deus em nosso valor, estamos nos afastando do que é mais precioso, ou
seja, Ele mesmo. O amor labuta e sofre para nos cativar com aquilo que é
infinita e eternamente satisfatório: Deus mesmo. Por conseguinte, o amor de
Deus labuta e sofre para aniquilar nossa escravidão ao ídolo do “eu” e
focalizar nossas afeições no tesouro de Deus.
Podemos
ver isto, de maneira surpreendente, na história da enfermidade e morte de
Lázaro, em João 11.1-6:
1-
Estava enfermo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã Marta.
2-
Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu com bálsamo
o Senhor e lhe enxugou os pés com os seus cabelos.
3-
Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a
quem amas.
4-
Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para morte, e sim
para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado.
5-
Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.
6-
Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar
onde estava.
Observe
três coisas admiráveis:
1.
Jesus escolheu deixar Lázaro morrer. No versículo 6, lemos: “Quando, pois,
soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde
estava”. Não houve pressa. A intenção de Jesus não era impedir o sofrimento da
família, e sim ressuscitar Lázaro dentre os mortos. Isto seria verdade mesmo se
Lázaro já estivesse morto, quando o mensageiro chegou a Jesus. Ele deixou
Lázaro morrer ou permaneceu por mais tempo, para deixar evidente que não tinha
pressa de trazer alívio imediato ao sofrimento. Algo mais importante O impelia.
2.
Jesus era motivado pelo amor para com a glória de Deus, manifestada em seu
tremendo poder. No versículo 4, Ele disse: “Esta enfermidade não é para morte,
e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela
glorificado”.
3.Entretanto,
tanto a decisão de deixar Lázaro morrer como a motivação de glorificar a Deus
foram expressões de amor para com Maria, Marta e Lázaro. O evangelista João nos
mostra isto pela maneira como ele uniu os versículos 5 e 6: “Ora, amava Jesus a
Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Quando, pois, soube que Lázaro estava doente,
ainda se demorou dois dias no lugar onde estava”.
Oh!
Muitas pessoas — inclusive crentes — murmurariam por haver Jesus,
insensivelmente, deixado Lázaro morrer e permitir que Marta, Maria e Lázaro e
outros passassem por aquele sofrimento e infelicidade! E, se os nossos
contemporâneos percebessem que Jesus fez isso motivado pelo desejo de
magnificar a glória de Deus, quantos não considerariam a atitude de Jesus como
insensível e severa? Isto revela quanto a maioria das pessoas estima levar uma
vida livre de sofrimentos muito mais do que estima a glória de Deus. Para a
maioria das pessoas, o amor é aquilo que coloca o bem-estar humano como o
centro de tudo. Por conseguinte, o comportamento de Jesus é ilógico para tais
pessoas.
Não
podemos ensinar a Jesus o que o amor significa. Não podemos instruí-Lo a
respeito de como Ele nos deve amar e colocar-nos no centro de tudo. Devemos
aprender dEle o que significa o amor e o que é o verdadeiro bem-estar. O amor é
fazer tudo que for necessário para ajudar os outros a verem e experimentarem a
glória de Deus em Cristo, para todo o sempre. O amor mantém a Deus no centro,
porque a alma foi criada para Deus.
Nas
palavras de sua oração, Jesus confirma que estamos certos: “Pai, a minha
vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que
vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo”
(Jo 17.24). Podemos presumir que esta oração seja um ato de amor de Jesus. Mas,
o que Ele pediu? Pediu que, no fim, vejamos a sua glória. O amor dEle por nós O
torna central. Jesus é o único Ser cuja auto-exaltação é um ato sublime de
amor. Isto é verdade porque a realidade mais satisfatória que podemos conhecer
é Jesus. Portanto, para nos dar esta realidade, Ele tem de dar-nos a Si mesmo.
O amor de Jesus O impeliu a orar e a morrer por nós, não para que o nosso valor
se tornasse central, e sim para que a glória dEle se tornasse central e
pudéssemos vê-la e desfrutá-la por toda a eternidade. “Pai, a minha vontade é
que… estejam também comigo… para que vejam a minha glória”. Isto é o que
significa para Jesus o amar-nos. O amor divino labuta e sofre para nos cativar
com aquilo que é infinita e eternamente satisfatório: Deus em Cristo. Oh! Que
vejamos a glória de Cristo — pela qual Ele deixou Lázaro morrer e pela qual Ele
foi à cruz.
Extraído do
livro: Penetrado pela Palavra, de John Piper.
Copyright: © Editora FIEL 2009
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
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